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 NOTÍCIAS :: GENÉTICA

Estudo aponta semelhanças no DNA de homem e camundongo
Comparação reforça validade do uso do roedor em pesquisas sobre doenças humanas

 Os códigos genéticos do homem e do camundongo possuem vários segmentos de DNA semelhantes, conforme aponta a comparação entre o genoma humano e o cromossomo 16 do roedor, recém-seqüenciado. O estudo, publicado em 31 de maio na revista Science, foi feito pela empresa Celera Genomics (EUA). Os resultados alimentam o debate sobre quais seriam os reais fatores que diferenciam o homem de outros animais com genomas tão parecidos. O estudo também reforça a validade do uso de camundongos como modelos para uma melhor compreensão das funções dos genes humanos.

O cromossomo 16 do camundongo foi seqüenciado com o mesmo método adotado pela Celera no mapeamento do genoma humano. Ele foi comparado com o DNA do homem em função de sua estrutura e potencial de codificação de proteínas. Os pesquisadores constataram várias semelhanças entre os segmentos de DNA do cromossomo 16 do camundongo e dos cromossomos humanos 3, 8, 12, 16, 21 e 22. Dos 731 genes identificados no cromossomo do roedor, apenas 14 não apresentaram nenhuma contrapartida humana.

No cromossomo 16 do camundongo foram encontrados sete segmentos homólogos (conservados por descendência) a outros encontrados no DNA humano. Anteriormente, já haviam sido identificados no cromossomo 19 do homem nove segmentos homólogos aos do camundongo. Os cientistas deduziram que os dois mamíferos devem compartilhar cerca de 200 segmentos homólogos de DNA, apesar de o ancestral comum de ambos datar de mais de 90 milhões de anos atrás.

Os camundongos são amplamente usados como modelos em estudos biomédicos. A similaridade entre os códigos genéticos reforça a validade dessa prática e pode facilitar a compreensão das causas de doenças humanas.

O cromossomo 21 do homem foi um dos que apresentaram segmentos semelhantes a trechos do DNA do roedor. Esse cromossomo causa a síndrome de Down se um indivíduo nasce com três cópias dele, em vez de duas. "A análise dessa região cromossômica no camundongo vai auxiliar a investigação dos fatores que causam a deficiência mental por causa genética mais comum nos seres humanos", explicou o geneticista Francisco Salzano, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Em contraste com a grande ocorrência de genes conservados entre as duas espécies, diferenças significativas -- em relação a seu número e potencial de codificação de proteína -- foram encontradas no grupo de genes conhecido como "dedos de zinco". Como esses genes são reguladores da expressão de outros genes, essas diferenças podem ser a chave para se entenderem os caminhos evolutivos divergentes tomados por esses animais.

Estudo anterior já havia revelado que o chimpanzé e o homem compartilham cerca de 98% de seus códigos genéticos. Os cientistas acreditam que, na medida em que os estudos genômicos forem avançando, as forças que 'moldaram' os diferentes genomas e impulsionaram a evolução ficarão mais claras. "Aos poucos teremos indicações de como o material genético se diferenciou para originar uma formiga ou um elefante", diz Salzano.

Marina Ramalho
Ciência Hoje on-line
08/07/02

 

 
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