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 NOTÍCIAS :: GENÉTICA

Camundongo é segundo mamífero a ter DNA decifrado
Roedor compartilha quase 100% de seus 30 mil genes com o Homo sapiens

Menos de dois anos após a divulgação do código genético humano, cientistas do mundo inteiro têm agora a sua disposição o seqüenciamento do genoma de mais um mamífero. E não se trata de qualquer um: o contemplado desta vez foi o camundongo (Mus musculus), o mais importante animal-modelo para a pesquisa biomédica em laboratório. O roedor já é adotado para o estudo de dezenas de doenças humanas de origem genética. Conhecer seu genoma é um importante passo para uma melhor compreensão de inúmeras outras patologias que afetam o homem.

O genoma do camundongo foi seqüenciado por um consórcio público internacional, que inclui 27 centros de pesquisa de seis países, e publicado em 5 de dezembro na revista Nature. A mesma edição traz ainda análises comparativas preliminares entre o genoma do roedor e o humano.

Homens e camundongos são separados por uma diferença evolutiva de 75 milhões de anos, isto é, essa é a idade do último ancestral comum que tiveram. Esse período parece longo, mas não bastou para diferenciar substancialmente o genoma dos dois mamíferos. Embora a ordem dos genes e sua distribuição nos cromossomos tenham se embaralhado desde então, até 90% do genoma do camundongo tem correspondência no DNA humano.

O genoma do roedor é composto por 2,5 bilhões de bases, ou 'letras' químicas -- 0,4 bilhão a menos que o genoma humano. A diferença, no entanto, consiste em seqüências repetidas, e talvez não seja funcionalmente significativa. Ambos parecem ter em torno de 30.000 genes, dos quais compartilhariam cerca de 99% -- carregamos em nosso genoma, por exemplo, os genes responsáveis pela formação da cauda no camundongo! Cerca de 9000 genes do roedor já foram identificados na análise preliminar, que contribuiu para localizar também 1200 novos genes humanos.

Os cientistas ficaram surpresos com a grande quantidade de trechos em que a seqüência das bases é exatamente a mesma nos dois genomas. Esses fragmentos não se restringem aos segmentos de DNA que comandam a síntese de proteínas (genes), o que sugere que se trate de trechos funcionalmente importantes preservados pela evolução. Sua função exata, no entanto, permanece desconhecida (pode-se tratar de elementos regulatórios ou genes que não produzem proteínas, por exemplo); desvendá-la torna-se desde já um objetivo importante para futuros estudos.

O seqüenciamento foi feito a partir dos 20 cromossomos de uma fêmea do tipo mais comum de camundongo usado na pesquisa biomédica. O seqüenciamento publicado na Nature contempla cerca de 96% do genoma do animal e incrementa o rascunho divulgado anteriormente. Estima-se que sejam necessários mais dois ou três anos de estudos até que se chegue aos 100% (a seqüência completa do genoma humano deve ficar pronta em abril de 2003). Os dados são públicos e estão disponíveis gratuitamente na internet para pesquisadores do mundo inteiro (a empresa Celera Genomics já havia divulgado um rascunho do genoma do camundongo, disponível apenas mediante pagamento).

Bernardo Esteves
Ciência Hoje on-line
05/12/02

 

 
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