O que os cientistas japoneses fizeram foi selecionar seqüências específicas do RNA mensageiro com as instruções para a produção de uma dessas enzimas (a CaMXMT1) e usaram-nas para construir o gene de um RNA interferente. Esse gene foi transferido para a bactéria Agrobacterium tumefaciens. Em seguida, cafeeiros da espécie Coffea canephora foram infectados com as bactérias modificadas, que introduziram essa seqüência no genoma da planta.
Após cerca de três meses de cultivo, os tecidos infectados ficaram marrons e necrosaram. Mas foi possível regenerar células desses tecidos que continham as seqüências introduzidas pela bactéria, e a partir delas foram obtidas novas plantas. Ao final de um ano, folhas das plantas transgênicas foram analisadas: elas tinham um teor de cafeína de 50 a 70% menor que o da planta convencional. Isso ocorre porque o RNA interferente inibe a síntese da CaMXMT1 pelas plantas, o que reduz a transformação da xantosina em cafeína.
As outras características dos cafeeiros transgênicos permaneceram inalteradas. A aparência das plantas é a mesma e os grãos de café deverão ser normais quando as plantas passarem a produzi-los -- exceto pelo baixo teor de cafeína.
Os cientistas tentam agora aplicar a mesma técnica à espécie Coffea arabica, variedade de alta qualidade responsável por 70% do mercado mundial de café. Segundo eles, o método é eficiente, pois produz plantas com as características desejadas em curto espaço de tempo: seriam necessários mais de 25 anos para ter o mesmo resultado pela técnica convencional de seleções e cruzamentos.
Adriana Melo
Ciência Hoje on-line
02/07/03