A esquistossomose, popularmente conhecida como 'barriga d'água', é endêmica na maioria dos países subdesenvolvidos e atinge aproximadamente 200 milhões de pessoas por ano. Seu controle é muito difícil, pois a proliferação do verme ocorre naturalmente em ambientes sem tratamento de esgoto.
"A maior importância da conclusão dessa pesquisa está no apontamento de novos alvos para o estudo da comunidade científica", aposta Ricardo DeMarco, um dos 37 autores do artigo da Nature Genetics. O projeto foi coordenado por Sérgio Verjovski-Almeida, da Universidade de São Paulo (USP) e teve financiamento de US$ 1 milhão fornecido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.
Além da USP ainda participaram do estudo laboratórios da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e dos Institutos Adolfo Lutz e Butantan. Este último, aliás, já iniciou, ao lado da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), uma colaboração para a pesquisa de drogas e vacinas contra a esquistossomose.
Na mesma edição da Nature Genetics em que foi publicado o artigo brasileiro, um outro trabalho, assinado por pesquisadores chineses, oferece uma descrição dos genes de uma outra espécie de Schistosoma, encontrada na Ásia. Nesse artigo, a equipe de Ze-Guang Han, do Centro Nacional de Genoma Humano, seqüenciou cerca de 87% dos cerca de 15 mil genes do S. japonicum.
Julio Lobato
Ciência Hoje On-line
15/09/03