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Bactérias sobrevivem a condições hostis Encontrados microrganismos nas águas geladas e escuras do lago Vostok, na Antártida
O continente antártico abriga mais de 70 lagos subterrâneos, como o Vostok, com 14 mil km2, conhecido pelo extremo frio e escuridão de suas águas -- condições hostis em princípio para a proliferação de qualquer forma de vida. No entanto, microbiologistas de vários centros de pesquisa norte-americanos constataram a presença de micróbios em amostras de gelo obtidas quase 4.000 metros abaixo da estação russa Vostok, possivelmente provenientes do lago de mesmo nome.
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| Provável esporo de bactéria originária da Patagônia encontrado na Antártida. "É impossível classificar micróbios a partir de sua morfologia", diz o pesquisador John Priscu, que está analisando o DNA dos microrganismos para identificá-los (imagens: NSF / John Priscu / MSU) Clique na imagem para ampliá-la |
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"É curioso como as bactérias conseguiram sobreviver nesse ambiente, pois o lago foi isolado das fontes naturais de energia derivadas da atmosfera terrestre por milhões de anos", diz John Priscu, da Universidade Estadual de Montana (MSU), um dos autores do artigo que relata a descoberta, publicado em 6 de dezembro na revista Nature.
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À esq., provável cianobactéria encontrada nas amostras de gelo. À dir., bactéria típica da camada de gelo resultante do congelamento das águas do Vostok. "Essa é a forma dominante de vida que esperamos encontrar nas águas atuais do lago", diz Priscu. Clique nas imagens para ampliá-las |
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Ainda não se sabe como os microrganismos obtêm energia nas condições inóspitas do lago Vostok. O frio e a escuridão de suas águas são similares ao ambiente de certas luas de Júpiter e dos prováveis oceanos congelados de Marte. Por isso, a constatação aumenta as possibilidades de existir vida fora da atmosfera terrestre.
Segundo os pesquisadores, microrganismos exclusivos das águas do Vostok foram encontrados ao lado de poucas espécies de micróbios já conhecidas. Análises mostraram que a água do lago, depositada há cerca de 1 milhão de anos, derivou de uma mistura de gelo derretido durante vários períodos glaciais.
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À esquerda, célula de alga chamada diátomo, de provável origem oceânica, encontrada no gelo (não se trata de bactéria). À dir., fragmento da parede celular de um diátomo ao lado de estrutura de silício. Clique nas imagens para ampliá-las |
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Os cientistas advertem que desenvolver tecnologia para explorar o lago sem contaminar suas águas ou prejudicar alguma comunidade microbial ali existente será um empreendimento complexo que necessitará de cooperação multinacional. "Espero que isso ocorra nos próximos cinco anos", disse Priscu à CH on-line.
Sarita Coelho Ciência Hoje on-line 20/12/01
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