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'Focas cineastas' filmam peixes pouco estudados Imagens ajudam a reconstituir hábitos de tradicionais presas da pesca comercial
Em vez de cameramen, focas: essa foi a forma encontrada por cientistas da Universidade do Texas (EUA) para filmar duas espécies de peixes antárticos pouco estudadas -- o 'peixe-prata' (Pleuragramma antarcticum) e o 'peixe-dente' (Dissostichus mawsoni). Eles equiparam dez focas machos e cinco fêmeas com câmeras de vídeo e as treinaram para seguir os peixes e gravar seu comportamento. O resultado -- um trabalho que traça os hábitos comportamentais dessas tradicionais presas da pesca comercial -- será publicado em março na revista Marine Biology.
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| Quinze focas captaram imagens submarinas dos movimentos dos peixes e interações com suas presas durante três primaveras na estação McMurdo (Antártida). As câmeras emitiam luz infravermelha, que seria invisível a focas e peixes e não afetaria seu comportamento. Clique na imagem para ampliá-la |
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Segundo o ecólogo Lee Fuiman, coordenador da pesquisa, esse é o primeiro projeto que utiliza mamíferos marinhos para filmar uma espécie animal diferente. "Pouco se sabe sobre os hábitos dos peixes das águas médias da Antártica, sobretudo aqueles que vivem sob o bloco de gelo, pois são difíceis de capturar ou observar na profundidade", diz Fuiman. "Só tínhamos acesso a esses peixes quando eles eram capturados em redes de pesca, ganchos de anzóis e no estômago de predadores."
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| Espécies filmadas pelas focas: (A) Pleuragramma antarcticum, a 220 metros de profundidade; (B) Dissostichus mawsoni, 12 m; (C) nadadeira de Dissostichus mawsoni, 326 m; (D) Pagothenia borchgrevinki, logo abaixo da camada de gelo |
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"Precisamos rever algumas noções sobre o comportamento e distribuição dessas espécies", diz Fuiman. Ele aponta a necessidade de mais pesquisas para descobrir outros fatores (além da intensidade da luz) associados à migração dos peixes, e comenta o uso das focas como cameramen: "Essa técnica é promissora e pode ser usada no estudo de outros peixes e invertebrados, de outra maneira impossíveis de se observar em seu hábitat natural."
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Clique em cada imagem para assistir a cenas filmadas pelas focas. O vídeo da esquerda (cerca de 2 MB) mostra a espécie Dissostichus mawsoni a 12 m de profundidade; o da direita (3 MB), a espécie Pagothenia borchgrevinki sob o gelo |
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Sarita Coelho Ciência Hoje on-line 24/01/02
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