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Explosões solares na mira dos cientistas
Satélite observará com precisão fenômeno que interfere em comunicações na Terra

Foi lançado em fevereiro o satélite HESSI, que ajudará os cientistas a entender um dos principais mistérios do nosso Sistema Solar: as explosões solares, que ocorrem nas manchas da estrela e têm a força de milhões de bombas de hidrogênio. Com o HESSI, serão analisadas as emissões de raios-X e raios-gama que ocorrem durante as explosões e podem interferir no funcionamento de satélites artificiais e dos sistemas de comunicação entre aviões, além de interromper transmissões de rádio em alta freqüência por horas.

A chamada 'explosão solar cavalo marinho', ocorrida em 7/8/1972. A radiação gerada teria sido nociva a astronautas se uma missão lunar estivesse em curso à época (foto: Big Bear Solar Observatory). Clique na imagem para ampliá-la ou assista a um vídeo de 2.2 MB da explosão

As explosões solares foram observadas pela primeira vez em 1859, pelo astrônomo inglês Lorde Carrington, enquanto contava o número de manchas solares. Repentinamente, segundo seu relato, "dois pontos de luz branca e extremamente brilhante surgiram", próximas a um conjunto de manchas. Ele procurou outra pessoa para observar o fenômeno, mas quando retornou ao observatório as explosões já tinham parado.

O que o lorde observou em 1859 foi apenas uma fração do que acontece. O brilho das explosões é maior em um comprimento de onda que um observador na Terra não pode ver (nossa atmosfera impossibilita a análise de emissões de raios-X e gama). Por isso, o posto ideal para registrar as explosões solares é acima da atmosfera.

Imagem de raios-X do Sol. A região mais brilhante à direita mostra erupções que ocorrem após explosões solares (imagem: Yohkoh Soft X-Ray Telescope) Clique na imagem para ampliá-la

Para equacionar esse problema, a agência espacial americana (Nasa) lançou o HESSI. As observações do satélite vão se concentrar nas regiões com maior número de manchas solares, e analisará com precisão inédita as emissões que ocorrem durante as explosões.


Tiago Lethbridge
Ciência Hoje on-line
08/02/02

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