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 NOTÍCIAS :: GALERIA

Brasileira descobre sensores na face de réptil
Receptores sensíveis à pressão permitem ao animal detectar movimentos na água

Foi por acaso que Daphne Soares, pesquisadora brasileira radicada nos EUA, fez uma descoberta que ajuda a entender a evolução dos crocodilos. Soares estava na caçamba de uma picape no estado da Louisiana, sentada em cima de um aligátor, quando reparou pontos pretos na face do animal.

Os receptores, descobertos em aligátores (espécie de crocodilo do sul dos EUA), ajudam-nos a detectarem movimentos de presas na água (fotos: Adam Britton / Nature) Clique na imagem para ampliá-la

A pesquisadora -- doutoranda pela Universidade de Maryland -- investigou os pontos e descobriu que eram sensores de pressão -- que ela batizou de DPRs (sigla em inglês para "receptores de pressão em cúpula"). A principal função dos DPRs é permitir aos répteis detectar pequenos distúrbios na superfície da água, o que facilita a caça noturna. Em um experimento, Soares cobriu a área dos sensores em aligátores; quando atingidos por gotas de água, eles não reagiram.

DPRs existem em várias espécies de répteis. "Em aligátores e jacarés, eles
se localizam nas mandíbulas", conta Soares. "Em crocodilos, eles são
distribuídos por todo o corpo." Clique nas imagens para ampliá-las


A pesquisadora, que publicou seus resultados em 16 de maio na revista Nature, examinou fósseis de crocodilos e descobriu que nervos ativam os DPRs por meio de marcas deixadas no osso, chamadas foraminas. Com a análise de fósseis a pesquisadora descobriu que os DPRs já existiam em crocodilianos de vida semi-aquática do Período Jurássico (há cerca de 200 milhões de anos). "Formas extintas completamente terrestres ou aquáticas não tinham foramina como as outras."

Antes da descoberta, os sensores (no detalhe à direita, em foto de
Daphne Soares) eram usados apenas como marcas para distinguir
espécies de crocodilianos. Clique nas imagens para ampliá-las

"Esse estudo foi basicamente feito pela curiosidade cientifica, sem muita relação com o que eu estava trabalhando anteriormente", conta Soares. "Agora vou continuar nessa linha de pesquisa." O próximo passo é identificar outras funções para os DPRs: Soares acredita que eles também sirvam para a comunicação entre os répteis.

Elisa Martins
especial para CH on-line
05/06/02

 

 
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