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Ritmo de desflorestamento é menor do que se pensa 
Não comemore: planeta perde 6 milhões de hectares de florestas tropicais ao ano

O ritmo da devastação das florestas tropicais úmidas no mundo é alarmante, mas pode ser menos acelerado do que se imagina. É o que sugere pesquisa coordenada por Jean-Paul Malingreau, do Centro de Pesquisa Conjunta da Comissão Européia (Bélgica). O estudo, publicado em 9 de agosto na revista Science, aponta que a taxa de perda das florestas pode ser 23% menor que a calculada por órgão das Nações Unidas (ONU). Se os cientistas estiverem corretos, a conversão da biomassa do planeta em gás carbônico é bem inferior ao estimado atualmente.

Desmatamento no Pará. Dos cerca de 669 milhões de hectares cobertos por vegetação na América Latina em 1990, só teriam restado aproximadamente 653 milhões em 97 (margem de erro: pouco mais de 8,5%) Clique nas imagens para ampliá-las

Os pesquisadores usaram imagens de satélite para avaliar as transformações ocorridas nas florestas de 1990 a 1997. Foram analisadas regiões de América Latina, África e Ásia, sobretudo aquelas que, segundo especialistas, corriam maior risco de destruição.

Perda de vegetação ao longo da Transamazônica, em Porto Velho. O Acre é o estado brasileiro onde foi registrado o maior índice de desflorestamento: 4,4% ao ano.
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De acordo com o artigo, as florestas tropicais úmidas dos três continentes ocupavam uma área total de mais de um bilhão de hectares no ano de 1990; ao longo da década, porém, verificou-se uma perda anual de cerca de seis milhões de hectares de vegetação (100 hectares correspondem a um quilômetro quadrado). A maior parte da área destruída se transformou em propriedades agrícolas.

Clareira em floresta do Tocantins (fotos: Hugh Eva, co-autor do estudo) Clique na imagem para ampliá-la

Embora os números apresentados pelos pesquisadores sejam preocupantes, o desflorestamento global medido por eles chega a ser 23% menor do que o previsto pela Organização de Agricultura e Alimentos (FAO), órgão vinculado à ONU. Malingreau e colegas acreditam que seu método seja mais confiável que o da FAO pois, em 1990, eles mediram duas vezes a área global coberta por florestas tropicais úmidas e não houve diferença significativa entre os resultados; dois experimentos realizados pela FAO no mesmo ano levaram a valores discrepantes.

Fernanda Marques
Ciência Hoje on-line
09/08/02

 

 
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