Nada será como antes para os gambás da espécie Trichosurus caninus, que vivem nas florestas secas da Austrália. Esses marsupiais podem ser divididos em duas espécies distintas. A necessidade da separação foi apontada por pesquisadores que identificaram diferenças morfológicas e genéticas significativas entre duas populações do gambá.
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Os gambás da espécie Trichosurus caninus que habitam o estado de Victoria (sudeste da Austrália) podem passar a pertencer à espécieT. cunninghami Clique na imagem para ampliá-la | | |
A distinção é fruto de dez anos de estudos do T. caninus pela equipe do biólogo David Lindenmayer, da Universidade Nacional Australiana. A separação foi proposta em artigo recém-publicado na revista Australian Journal of Zoology.
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A espécie Trichosurus caninus é popularmente conhecida como mountain brushtail possum (algo como ’gambá de cauda-de-escova da montanha’) Clique nas imagens para ampliá-las | | |
Os cientistas constataram que as populações do gambá que vivem nos estados de New South Wales e Queensland (nordeste e leste da Austrália) têm orelhas e pés menores e caudas maiores que os espécimes que habitam o estado de Victoria (extremo sudeste). Um leigo talvez não perceba, mas os dados morfológicos colhidos pelos cientistas mostram que as diferenças são estatisticamente significantes. O DNA dos gambás confirma a necessidade da distinção: a distância genética entre as duas populações é de cerca de 3%.
A equipe de Lindenmayer sugere que os gambás do leste-nordeste mantenham o nome científico original da espécie, definido a partir de espécimes da mesma região na década de 1830. Os cientistas propõem que ele passe a ser chamado popularmente de gambá-de-orelha-pequena. A espécie do sudeste deve manter o nome popular original, mas ganharia novo nome científico: Trichosurus cunninghami.
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As duas espécies de gambá têm o mesmo hábitat - troncos ocos de grandes árvores mortas nas florestas secas do leste da Austrália (fotos: cortesia D. Lindenmayer) Clique nas imagens para ampliá-las | | |
A distinção das espécies tem implicação ecológica, pois o hábitat dos gambás está cada vez mais ameaçado pela derrubada intensiva de árvores na Austrália. "Agora é preciso conservar duas espécies, e não mais apenas uma", alerta Lindenmayer.
Bernardo Esteves
Ciência Hoje on-line
12/12/02