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Novidades do fundo do mar
Estudo identifica 52 novas espécies marinhas no litoral norte de São Paulo
O litoral norte do estado de São Paulo ficou ainda mais bem conhecido, e não é pela beleza de suas praias. A surpresa está no fundo do mar que banha os municípios de Caraguatatuba, São Sebastião e Ubatuba. A equipe coordenada pela bióloga Antonia Cecília Z. Amaral, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), identificou ali 535 espécies marinhas pertencentes à fauna bentônica (que inclui moluscos, crustáceos, vermes e outros animais que vivem junto a algum tipo de substrato no fundo do oceano). Destas, 52 são novas para a ciência: nunca foram descritas no Brasil ou no exterior.
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A Ophiuroidea (serpente-do-mar) acima pertence ao mesmo grupo das estrelas-do-mar e constitui uma espécie nova para a ciência (foto: Michela Borges) | | |
A descoberta faz parte do projeto Biota/Fapesp -- Bentos Marinho, cujo objetivo é descrever a riqueza e abundância dessa fauna na costa paulista. Alunos da graduação, pós-graduação e pesquisadores de mais duas universidades, a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), participaram das coletas -- a maior parte feita em 2001 -- e estão identificando os espécimes encontrados. "Pretendíamos preencher as lacunas deixadas pela escassez ou ausência de pesquisas na região", conta Cecília. A falta de especialistas em fauna bentônica no Brasil fez ainda com que a equipe recorresse a uma ajuda extra. "Pesquisadores estrangeiros têm colaborado conosco."
Das 52 espécies 'inéditas', 40 pertencem à meiofauna -- animais que só são visualizados com equipamentos -- e 12, à macrofauna -- seres de maior porte, visíveis a olho nu. Dentre estes, destacam-se cinco variedades de Diopatra, uma minhoca-marinha que pode chegar a 15 cm de comprimento por 8 mm de largura.
O projeto segue até o fim de 2004, quando será feito um estudo de cunho mais ecológico das espécies encontradas no trabalho de campo realizado em praias, costões rochosos e no fundo do mar (em profundidade de até 45 m). Por ora, já está em composição um volume com a descrição detalhada de 110 das espécies que já eram conhecidas.
Clique nas imagens abaixo e saiba mais sobre algumas das espécies identificadas pelos pesquisadores.
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Leucippa pentagona A Leucippa pentagona é uma espécie normalmente encontrada associada com corais, algas ou outros tipos de substratos existentes no fundo do mar. (foto: Adilson Fransozo)
Fonte: Antonia Cecília Z. Amaral |
Amphiodia riisei A Amphiodia riisei pode ocorrer em profundidade de até cerca de 300 m, em fundos lamosos e arenosos. (foto: Michela Borges)
Fonte: Antonia Cecília Z. Amaral
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Diopatra cuprea A minhoca-marinha (Diopatra cuprea) é um animal comum em praias arenosas e lodosas, encontrado principalmente próximo à linha d’água, durante a maré baixa. (foto: Tatiana Menchini Steiner)
Fonte: Antonia Cecília Z. Amaral |
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C. variopedatus O Chaetopterus variopedatus é um poliqueta de corpo mole e bastante modificado que habita permanentemente um tubo pergamináceo, em forma de U. Essa espécie é muito comum em praias. (foto: Álvaro Esteves Migotto)
Fonte: Antonia Cecília Z. Amaral |
Glycera dibranchiata A Glycera dibranchiata é encontrada na região entremarés a até cerca de 400 m de profundidade. Por alcançar tamanho considerável, é explorada comercialmente como isca para pesca. (foto: Alexandra Elaine Rizzo)
Fonte: Antonia Cecília Z. Amaral |
Tellina lineata A Tellina lineata ocorre na região entremarés de praias e ambientes estuarinos. (foto: Eliane P. Arruda)
Fonte: Antonia Cecília Z. Amaral |
Elisa Martins Ciência Hoje on-line 26/02/03 |