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No aconchego da floresta
Aves migratórias encontram na região amazônica um local ideal para passar o inverno
Para fugir do frio rigoroso das regiões temperadas e subtropicais, aves migratórias de diversos lugares do mundo encontram na Amazônia um local perfeito para passar o inverno. Algumas delas chegam a voar sem parar por mais de 16 mil km e, para agüentar essa travessia, engordam até 10 vezes o próprio peso.
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A destruição de seus locais de reprodução representa uma ameaça para as aves migratórias. Um exemplo é o maçarico- esquimó (Numenius borealis), considerado extinto no Brasil (fotos cedidas por Alexandre Aleixo) | | |
Além de enfrentar predadores e adversidades climáticas ao longo de sua jornada anual, as aves migratórias ainda são ameaçadas pela destruição de seu hábitat de reprodução e de seu ambiente de invernada. A conservação dessas espécies foi tema de uma série de palestras organizadas pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e pela Universidade Federal do Pará (UFPA) entre 6 e 8 de maio em comemoração ao dia mundial das aves migratórias (8 de maio).
O evento ressaltou a importância da Amazônia como uma das poucas regiões do mundo que recebem aves migratórias durante o ano todo. Por estar próxima da linha do Equador, ela acolhe tanto espécies do hemisfério Sul quanto do Norte durante seus respectivos invernos. "Dentre tantos outros, esse é mais um serviço ambiental prestado pela Amazônia ao mundo", disse o ornitólogo Alexandre Aleixo, do MPEG, um dos palestrantes do evento. Segundo o pesquisador, estima-se que entre 150 e 200 espécies de aves migratórias visitem a região todo ano.
O MPEG possui o acervo ornitológico mais moderno do país, com mais de 70 mil espécies, sobretudo de aves amazônicas. Durante o evento, essa coleção foi batizada com o nome de Fernando C. Novaes, ornitólogo renomado da instituição que faleceu em abril.
Para conhecer melhor algumas das espécies de aves migratórias que passam seus invernos no Brasil, clique nas fotos abaixo.
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Batuíra-de-bando O batuíra-de-bando (Charadrius semipalmatus) se reproduz no norte do Canadá e Alasca entre os meses de maio e agosto. É encontrado em praias e estuários de toda a América Latina no restante do ano. Sua alimentação é constituída de pequenos crustáceos e insetos. |
Maçarico-de-p.-vermelho Em bandos com cerca de 10 mil indivíduos, o maçarico-de-papo-vermelho (Calidris canutus) pode percorrer até 16 mil km sem parar das tundras do extremo norte ao litoral do hemisfério Sul. Durante o período de invernada, pode ser encontrado não só na Amazônia, mas também na Austrália, África e Europa. . |
Gavião-tesoura Existem duas populações de gavião-tesoura (Elanoides forficatus): uma se reproduz no sul do Brasil e a outra, ameaçada de extinção, na América Central e sul dos EUA. Ambas passam seus invernos na floresta amazônica. . |
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Bacurau-n.-americano O bacurau-norte-americano (Chordelis minor) pode ser encontrado em quase toda a América do Sul nos meses de setembro a fevereiro, principalmente no cerrado brasileiro. Costuma migrar em grandes bandos e se alimenta basicamente de insetos. |
Andorinha-azul Espécie nativa dos EUA, a andorinha-azul (Progne subis) pode ser vista em regiões descampadas aos bandos em quase todo o Brasil e alguns outros países da América Latina durante os meses de setembro a março. |
Tesoura A tesoura (Tyrannus savanna) se reproduz no Sul e Sudeste do Brasil, mas, durante o inverno, segue para a Amazônia, onde pode ser encontrada em bandos de milhares de indivíduos. |
Liza Albuquerque Ciência Hoje On-line 18/05/04 |