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Novidades no litoral brasileiro
Pesquisadores da Uerj descrevem duas espécies de raias, de médio e grande porte
Duas novas espécies de raias foram identificadas por pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Ambas pertencem ao grupo das raias-manteiga, caracterizadas pelo ferrão venenoso que possuem na cauda, e foram descritas pela equipe do biólogo Hugo Ricardo Secioso Santos, do Laboratório de Estudo de Tubarões e Raias.
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A Dasyatis hypostigma recém-capturada no Paraná antes de ser conservada em álcool. A espécie foi descrita em abril no Boletim do Museu Nacional por Hugo Santos e Marcelo de Carvalho Clique na imagem para ampliá-la | | |
A primeira, Dasyatis colarensis, foi capturada no município de Colares, em Belém do Pará, e é uma espécie completamente desconhecida pela ciência. Já a Dasyatis hypostigma, embora conhecida por pescadores e cientistas, foi por muito tempo erroneamente identificada como a D. say, espécie norte-americana.
Os exemplares capturados da 'raia de Colares' -- nome popular adotado para a nova espécie -- medem até 60 cm de largura e mais de 2 m de comprimento, mas os pesquisadores estimam que alguns animais possam atingir o dobro desse tamanho. Até agora, a espécie só foi encontrada em rios. "Isso não quer dizer que se trate de uma espécie de água doce", explica Santos. "As raias-manteiga, apesar de viverem no mar, invadem os rios para copular e buscar alimentos."
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Caracterizada pelo focinho alongado, a D. colarensis foi descrita em abril na revista Zootaxa por Ulisses Gomes, Hugo Santos, e Patrícia Charvet-Almeida. Clique na imagem para ampliá-la | | |
A outra raia, conhecida pelos pescadores do Sudeste do Brasil como raia-manteiga-lisa, é um exemplar de médio porte: pode atingir cerca de meio metro de largura e um metro de comprimento. Apresenta um sulco sinuoso e raso na parte ventral do corpo e, ao contrário das outras raias-manteiga, não possui espinhos ou dentículos sobre o dorso e na cauda. Os pesquisadores estimam que ela ocorra em todo o sudoeste do oceano Atlântico, do sul da Bahia a Mar del Plata, na Argentina.
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À esq., o exemplar da D. hypostigma usado pelos cientistas para descrever a espécie. No detalhe, a seta indica a marca ventral característica dessa raia. Clique nas imagens para ampliá-las | | | Santos explicou que a confusão com a espécie norte-americana ocorreu pela falta de um estudo mais apurado das espécies nacionais. "Os pesquisadores utilizavam os manuais norte-americanos para identificar as espécies brasileiras e acabavam deixando passar várias diferenças entre os animais, como a confusão entre a D. hypostigma e a D. say", conta.
A equipe da Uerj está preparando, sob a coordenação do biólogo Ulisses Leite Gomes, o primeiro guia de identificação das espécies de raias e tubarões do Rio de Janeiro. O manual deve ficar pronto até o final do ano.
Catarina Chagas Ciência Hoje on-line 12/07/04 |