foi trazida para a Amazônia por imigrantes nordestinos no início do século 20. Naquela época, os bois se apresentavam na casa das pessoas. Havia uma disputa por território, pois eles recebiam uma quantia por cada encenação. Após alguns anos, a encenação passou a ser nas ruas e as brigas entre Caprichoso e Garantido ficaram mais violentas. Em 1966, as apresentações foram transferidas para a quadra da igreja e os bois passaram a seguir um regulamento e a concorrer a um troféu.
A antiga festa popular se transformou em um grande espetáculo, com alegorias e fantasias elaboradas que remetem ao desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. A produção das peças recorre tanto aos materiais típicos da região -- como juta e palha ‐ quanto a complexos efeitos especiais e outros artifícios tecnológicos.
No ensaio fotográfico premiado, Andreas Valentin registrou o trabalho desses artistas nos galpões em que trabalham -- os quartéis-generais ou simplesmente QGs. "São lugares guardados a sete chaves", conta Valentin. No QG, o ambiente é escuro e as pessoas precisam se identificar para entrar. Às vezes, artistas que trabalham no mesmo espaço não sabem o que o colega ao lado está fazendo.
Oferecido a cada dois anos, o prêmio Pierre Verger contempla fotos que tenham qualidade estética e interesse antropológico. O ensaio de Valentin é baseado em sua tese de mestrado, que analisa a rivalidade dos bois de Parintins a partir dos conceitos de conflito e competição definidos pelo sociólogo alemão Georg Simmel (1858-1918), do dualismo existente na estrutura social de certas tribos amazônicas estudadas pelo antropólogo brasileiro Roberto da Matta (1936-), além das relações de poder em pequenas comunidades apresentadas pelo sociólogo alemão Norbert Elias (1897-1997).
Confira abaixo algumas das 14 fotos que integram o ensaio premiado. Clique nas imagens para ampliá-las e saber mais detalhes sobre os bastidores da festa.