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 NOTÍCIAS :: GALERIA

Surpresas do fundo do mar
Expedição registra imagens e coleta animais raros em abismos dentro do Atlântico

Mais de 80 mil espécimes foram coletados por cientistas que, há dois meses no mar a bordo de um navio norueguês, analisam a biodiversidade marinha em profundidades que vão além de 4 mil metros. A expedição faz parte do projeto Mar-Eco, que integra o programa internacional para realizar um Censo da Vida Marinha (CoML). Seu objetivo era encontrar novas espécies e dados sobre o estado de saúde do ecossistema em torno da cadeia de montanhas submersas do Atlântico Médio, águas antes consideradas desconhecidas.

Estrelas do mar da espécie Pycnopodia helianthoides, apelidada de girassol. Coletada em 2003 numa expedição do Censo de Vida Marinha, a espécie se caracteriza por movimentos lentos dentro d’água. (Foto: Casey Debenham)

Sessenta cientistas de treze países participaram da pesquisa, que empregava tecnologia de ponta, como instrumentos para gravar sons de animais a 3 mil metros de profundidade. O material recolhido ainda precisa ser analisado e descrito. No entanto, os pesquisadores já identificaram pelo menos 300 espécies de peixes, 50 de lulas e polvos e uma infinidade de organismos planctônicos. Algumas das lulas garimpadas não eram observadas há um século e os integrantes do estudo não sabiam que elas e algumas espécies de corais de água gelada habitavam essa região.

Criaturas surpreendentes foram encontradas em grandes profundidades, como medusas luminescentes e peixes de aparência assustadora. O primeiro inventário do CoML, divulgado em 2003, registrou em mares e oceanos de todo o mundo cerca de 210 mil espécies marinhas conhecidas pela ciência. Os pesquisadores acreditam, no entanto, que esse número pode chegar a 10 milhões. O CoML tem previsão de término em 2010.

A expedição Mar-Eco partiu de Bergen, na Noruega, em 5 de junho, cobriu uma área entre a Islândia e os Açores e contou com a participação de cientistas da Áustria, Dinamarca, Ilhas de Feroé, Finlândia, França, Alemanha, Islândia, Holanda, Noruega, Portugal, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos.

Clique nas imagens abaixo para conhecer algumas das espécies coletadas na expedição Mar-Eco e em expedições anteriores do Censo da Vida Marinha.

Lophodolus
O peixe acima foi classificado no gênero Lophodolus, devido à forma dos espinhos em sua cabeça e à ’isca’ que possui acima da boca, que imita a comida de sua presa. Pode se tratar de uma nova espécie, pois ela difere das duas outras do mesmo gênero pela estrutura da cabeça e pela forma dessa ’isca’. Os espécimes desse peixe foram coletados pela expedição Mar-Eco a mil metros ou mais de profundidade. (Foto: Tracey Sutton)

 

A. gelatinosus 
Dois espécimes do Aphyonus gelatinosus, peixe peculiar raramente encontrado no Atlântico Norte, foram capturados próximo às ilhas Açores durante a expedição Mar-Eco. A espécie parece ocorrer em diversos oceanos no mundo, mas poucos exemplares são conhecidos. O A. gelatinosus é quase cego e apresenta corpo semitransparente e coberto por uma camada gelatinosa. A espécie coletada pela expedição em profundidades entre 1750 e 3000 metros é rosada e tem estômago azulado. Praticamente nada é conhecido sobre a biologia dessa espécie, mas ela é classificada como um peixe vivíparo, ou seja, ao invés de nascerem de ovos, os filhotes são gerados no corpo da mãe. (Foto: David Shale)

P. megaptera
A lula Promachoteuthis megaptera é uma das espécies coletadas pela expedição Mar-Eco que não são observadas há mais de 100 anos. Os cientistas agora dispõem de um número suficiente de indivíduos para descrever melhor essa espécie, que não tinha sido detalhada por falta de dados. O primeiro espécime dessa lula de longos tentáculos foi capturado próximo ao Japão em uma expedição do final do século 19. (Foto: Richard Young)

 

Narcomedusa
A espécie acima pertence provavelmente ao grupo das narcomedusas, subordem de medusas encontradas em grandes profundidades marinhas. Ela foi coletada pela primeira vez em 2002 ao sul da ilha Banks, no ártico canadense, e ainda não foi descrita. O animal é difícil de ser capturado por ter corpo delicado e viver em águas profundas. (Foto: Kevin Raskoff)

 

Porogadus 
Dois espécimes do peixe acima coletados pela expedição Mar-Eco foram identificados no gênero Porogadus, comum em grandes profundidades oceânicas. No entanto, os exemplares se apresentaram diferentes das espécies do mesmo gênero encontradas em algumas regiões do Atlântico. Detalhes de sua taxonomia ainda serão analisados para que a descrição desta nova espécie seja feita. (Foto: Franz Uiblein) .

Peixe-escorpião 
O peixe-escorpião acima foi identificado pela primeira vez em 2003 e é uma das mais de 15.300 espécies de peixes marinhos já catalogadas pelo Censo da Vida Marinha. O Scorpaenopsis vittapinna foi observado na região dos oceanos Índico e Pacífico. (Foto: B. Eschmeyer e J. Randall) .

 

 


Renata Moehlecke
Ciência Hoje On-line
26/08/04

 

 
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