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 NOTÍCIAS :: FÍSICA

Elementos ópticos difrativos inovadores
Ondas indesejadas são refletidas em técnica desenvolvida por brasileiros

Um trabalho brasileiro duplamente premiado em junho no Canadá, no Concurso de Beleza Difrativa, promovido pela Optical Society of America, surpreendeu pesquisadores de países com indústrias ópticas mais desenvolvidas. Trata-se de um elemento óptico difrativo (EOD) desenvolvido pela equipe de Luiz Gonçalves Neto, da Escola Politécnica e da Escola de Engenharia Elétrica de São Carlos (ambas da Universidade de São Paulo - USP). Construído de forma diferente da atual e capaz de produzir imagens com definição muito superior, esse EOD foi contemplado nas categorias relativas à qualidade da imagem (primeiro lugar) e à técnica (segundo).

A imagem acima deu prêmio a pesquisadores brasileiros no Canadá

Os EODs são elementos ópticos semelhantes a lentes que apresentam microrrelevos gravados em sua superfície responsáveis pela difração da luz. Eles são usados para compor ou corrigir imagens formadas a partir de um feixe de luz coerente (composto de ondas luminosas paralelas entre si). São amplamente usados na elaboração de peças como hologramas de cartões de crédito, filtros e polarizadores fotográficos e nas indústrias bélica e aeroespacial desde a década de 80.

Quando um feixe de luz coerente, como o laser, é projetado através de um EOD, as pequenas ranhuras das lentes servem de obstáculo para a propagação das ondas no espaço. O padrão da imagem formada depende do relevo da superfície do EOD. Atualmente, os EODs apenas desviam as ondas, criando um halo de luz ao redor da imagem - o que, para algumas aplicações, é inaceitável.

Gonçalves Neto e sua equipe desenvolveram EODs em que foram aplicados filmes metálicos que, à semelhança de um espelho, refletem as ondas indesejadas e impedem que elas cheguem ao meio em que a imagem é projetada. "É incrível como nunca pensaram nisso antes", diz ele. "É um modo fácil e barato de se conseguir uma imagem perfeita." Foi essa a técnica usada pelos pesquisadores para formar as imagens de uma águia e de uma borboleta apresentadas no concurso no Canadá.

EODs desenvolvidos no Brasil permitem criar imagens com melhor definição (dir.) que as feitas pelas técnicas usadas anteriormente (esq.)


Com a inovação, Gonçalves Neto espera que os novos EODs possam também ser usados para corrigir a imagem de binóculos, filmadoras e telescópios, assim como para melhorar a transmissão de dados por fibras ópticas. Ele acha possível até eliminar a distorção de lentes de plástico, levando-as a um nível de imagem semelhante ao das de vidro. Sua equipe planeja desenvolver um EOD que funcione com luz comum (não coerente) e espera apresentá-lo no próximo concurso, daqui a dois anos. "Já formulei toda a teoria, resta ver se na prática funciona", antecipa.

Leonardo Cosendey
Ciência Hoje/RJ
12/09/00

 

 
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