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A indicação de nomes para o Nobel deve respeitar o protocolo estabelecido pela Real Academia Sueca de Ciências. Para o prêmio de física, candidatos podem ser indicados, por exemplo, por membros da academia, por laureados com o Nobel em anos anteriores e por professores de física e química de universidades e centros de pesquisa escandinavos. O anúncio dos contemplados com o prêmio é feito em outubro de cada ano.

O Nobel de uma área pode ser dividido por até três cientistas, e seus vencedores dividem uma quantia da ordem de um milhão de dólares. O físico-químico Ricardo Ferreira garante que, ao promover a indicação do nome de Tsallis, não pretende apenas fomentar a auto-estima do país no exterior, como acontece corriqueiramente no esporte, na música ou no cinema. "Meu objetivo é tentar valorizar a ciência nacional para o próprio Brasil", afirma referindo-se às dificuldades econômicas vividas pelo setor. "Só neste ano, perdi dois de meus melhores pesquisadores para universidades na Europa e nos Estados Unidos."

 

 NOTÍCIAS :: FÍSICA

Indicação de físico brasileiro ao Nobel em estudo 
Constantino Tsallis formulou uma equação que revoluciona estudo de entropia

Até aqui, a ciência brasileira ainda não conseguiu ver nenhum de seus representantes laureados com o prêmio Nobel. O físico Cesar Lattes e a agrônoma Johanna Döbereiner são alguns dos que mais se aproximaram da façanha. Atualmente, no entanto, um movimento liderado pelo físico-químico Ricardo Ferreira, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), procura um meio de indicar o nome de Constantino Tsallis, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), junto à Real Academia Sueca de Ciências, que escolhe todo ano os premiados na área de física.

O físico Constantino Tsallis ao lado da equação que propôs para calcular casos complexos de entropia, que pode valer sua indicação ao Nobel (foto: Maria Aparecida Pádua)

Segundo Ferreira, Tsallis, que é grego naturalizado brasileiro, é merecedor do Nobel pelo trabalho que desenvolve desde 1988. Nesse ano, o pesquisador mexeu com um dos pilares da física ao propor uma nova expressão matemática para calcular casos complexos de entropia na mecânica estatística.

Esse ramo da física permite explicar melhor como a energia mecânica de uma queda d'água transforma-se em energia elétrica ou como uma locomotiva consegue se mover graças à energia gerada pela queima de carvão. A mecânica estatística estabelece relações entre o comportamento termodinâmico macroscópico de um sistema e sua estrutura microscópica.

A equação proposta por Tsallis permite calcular a entropia em sistemas em que não se aplica a fórmula de Boltzmann-Gibbs, como turbulências durante vôos (reprodução/Embraer)


Já a entropia é um conceito ligado à desordem microscópica de um sistema: quanto mais desordenado for ele, maior será sua entropia. Ela existe porque as transformações de um tipo de energia em outro são irreversíveis: o movimento gerado pela energia elétrica de uma furadeira pode aquecer uma parede que está sendo perfurada, mas ao se resfriar, a parede não irá causar movimento na furadeira. "Isso acontece porque é fácil 'agitar' as moléculas de um sistema (calor), mas é muito difícil ordená-las novamente", explica Tsallis. "Em uma hora, dez crianças em um quarto cheio de brinquedos causarão uma bagunça. Se tirarmos essas crianças e colocarmos outras dez por mais uma hora, dificilmente encontraremos o quarto em sua forma original."

Por 120 anos, os cientistas calcularam a entropia de um sistema a partir da fórmula criada pelo norte-americano Josiah Gibbs (1839-1903) e o austríaco Ludwig Boltzmann (1844-1906). Ela se revelou extremamente eficiente para casos como o da locomotiva. "Mas há uma infinidade de fenômenos naturais que não são facilmente descritos pelo formalismo de Boltzmann-Gibbs, como a entropia causada por um ciclone ", diz Tsallis.

Segundo o próprio brasileiro, a expressão matemática formulada por ele é uma generalização da de Boltzmann e Gibbs. "Na verdade, essa fórmula é um caso particular da que propus". O estudo de Tsallis tem merecido capítulos inteiros em livros de pós-graduação de autores estrangeiros e já foi aplicado para estudar turbulências tais como as que ocorrem durante vôos.
 

Pablo Pires Ferreira
Ciência Hoje/RJ
21/02/01

 

 
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