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Supercordas: das dimensões ocultas ao multiverso
Livro apresenta teoria que pretende unificar relatividade geral e mecânica quântica
A física do século 20 se apoiou em dois pilares: a teoria da relatividade de Albert Einstein e a mecânica quântica. Ambas descrevem com precisão inédita na história da ciência o comportamento dos corpos em escala macro e microscópica, respectivamente. Porém, um detalhe atormenta a cabeça de cientistas há pelo menos meio século: as teorias não podem estar certas ao mesmo tempo. Uma possível solução para essa incompatibilidade é a teoria das supercordas, descrita em O universo elegante, best-seller mundial de Brian Greene.
A teoria da relatividade geral derrubou o conceito newtoniano de gravidade. Einstein propôs que os corpos provocam uma curvatura no tecido espacial. Segundo a teoria, os planetas orbitam o Sol, por exemplo, porque são capturados por essa curvatura. O tecido espacial proposto por Einstein era plano e liso.
O desenvolvimento da mecânica quântica inviabilizou essa noção de espaço. Segundo a teoria, em escala microscópica, nada pode ser liso e plano. Se o tecido espacial fosse analisado num grau de detalhamento máximo, o que veríamos seriam estruturas oscilantes e instáveis. Essa oposição radical entre as duas teorias, entretanto, não invalidou nenhuma delas. Ambas foram confirmadas por testes exaustivos e seu sucesso é inquestionável. Mas pode a natureza ter duas regras distintas, uma para o muito pequeno e outra para o muito grande?
Para Brian Greene, professor de física e matemática da Universidade de Columbia (EUA), a resposta é não. Para ele, a teoria das supercordas, em desenvolvimento desde o fim da década de 60, é uma das mais promissoras tentativas de se unificar relatividade e mecânica quântica (uma Teoria sobre Tudo, TST). A solução para o conflito entre as duas teorias é relativamente simples (ao contrário de suas implicações): todas as partículas elementares (fótons, elétrons, quarks, neutrinos etc) são, na verdade, cordas. O que diferenciaria cada partícula seria a freqüência da corda. Assim, o tecido espacial seria formado por cordas com tamanho definido -- com muito menos flutuações quânticas que as existentes num universo formado por partículas puntiformes de tamanho zero.
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Para a relatividade geral, a Terra fica em órbita do Sol por se deslocar ao longo de uma depressão no tecido espacial curvo (dir). Ampliações sucessivas desse tecido à luz da mecânica quântica (esq.) mostram que ele não é liso ou plano | | |
Mais que conciliar duas teorias, as supercordas criam um universo fantástico, que desafia o senso comum. Esse universo tem onze dimenões (dez espaciais e uma temporal). Vivemos em três dimensões espaciais porque, instantes após o Big-Bang, as outras sete se recurvaram. Outra conseqüência possível seria a existência de um multiverso, em que cada buraco negro seria o ponto de partida para um novo universo.
A tentativa de Greene é admirável: divulgar uma teoria tão complexa para leigos é uma tarefa dificílima, e ele, na medida do possível, consegue. O livro, no entanto, é vendido como leitura fácil. Longe disso. O leitor que quiser entender o mundo das supercordas terá que fazer um esforço grande, que será recompensado. O esforço do autor foi, com certeza, muito bem recompensado.
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O universo elegante - supercordas, dimensões ocultas e a busca da teoria definitiva Brian Greene (tradução: José Viegas Filho) Companhia das Letras, São Paulo, 2001 476 páginas - R$ 37 |
Tiago Lethbridge Ciência Hoje on-line 29/08/01 |