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Novas descobertas da física no ensino médio
Professora propõe incorporar tópicos da teoria da estrutura da matéria ao currículo
O plástico é sólido, líquido ou pode ser classificado de outra forma? E a borracha? Se você não sabe a resposta, não se culpe: isso não foi ensinado na escola. Essa deficiência foi percebida pela professora de física Walkiria Reche, que concluiu que seus alunos do ensino médio conheciam pouco o mundo à sua volta. A observação inspirou um estudo, desenvolvido por ela na Universidade de São Paulo (USP), que propõe a inserção de tópicos da física da estrutura da matéria no currículo do ensino médio.
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Modelos feitos por alunos de estruturas moleculares de novos materiais que não podem ser classificados como sólidos, líquidos ou gasosos (fotos: W. Reche) | | |
A física da estrutura da matéria estuda as formas de organização das moléculas e suas implicações. Há alguns anos percebeu-se que os estados físicos que conhecemos -- sólido, líquido e gasoso -- eram ineficazes para classificar todos os materiais, pois alguns não se encaixavam nessas definições. Esses estados foram definidos a partir da análise de características macroscópicas. No entanto, se fossem levadas em conta características microscópicas desses materiais como a organização molecular, a classificação seria mais precisa.
A estrutura molecular dos sólidos é ordenada em um padrão que se mantém por uma longa distância no material. Já o arranjo das moléculas de líquidos e gases é desordenado. No entanto, alguns materiais possuem certo nível de organização, cuja ordem se mantém, mas apenas por pequenas ou médias distâncias. Eles ficam num estado intermediário entre sólido e líquido, e são chamados de matéria mole (como a borracha, o vidro, nossas estruturas biológicas ou a gelatina).
Essa matéria é a base da maioria dos novos materiais. A falta de informação -- e formação -- sobre esses materiais foi a principal razão que levou Walkiria a estudar uma proposta para inserir no currículo as descobertas da nova física. "Meus alunos possuíam todas essas coisas ao seu redor e não sabiam explicá-las, e nem paravam para pensar sobre isso", explica a professora.
O estudo de Walkiria com estudantes do ensino médio foi aplicado em duas escolas de Santos (SP), em 1999 e 2001. Primeiro, ela analisou o conhecimento dos alunos sobre o assunto, a partir de um questionário. As perguntas despertaram curiosidade, e a boa aceitação fez a pesquisa avançar. Foram ensinadas teorias básicas para o aprendizado da estrutura molecular, como a noção de escalas e o atomismo. A partir daí, os próprios estudantes passaram a pesquisar os novos materiais e o resultado foi exposto na escola.
Assim como Walkiria, o Grupo de Reelaboração do Ensino de Física, também da USP, estuda formas alternativas de tratar o conteúdo da física. O principal objetivo das modificações propostas -- que englobam Mecânica, Óptica, Física Térmica e Eletromagnetismo -- é um novo enfoque de ensino e uma utilização prática do que é ensinado. "Os alunos estão mais interessados em aprender sobre coisas que conheçam, que falem da sua vida cotidiana", diz Walkiria. "O despertar e a manutenção desse interesse são fundamentais para o aprendizado."
Gisele Lopes Ciência Hoje on-line 09/09/02 |