Quem já brincou sabe que as rochas mais indicadas são as chatas e de bordas arredondadas que devem ser jogadas rapidamente de maneira a formarem o menor ângulo em relação à superfície líquida. Em seu artigo, Lydéric explica essas intuições a partir de princípios físicos.
Pela lei da mecânica dos fluidos, em contato com um líquido, um corpo sofre uma força para cima chamada empuxo, perpendicular a sua superfície de contato e proporcional a essa superfície e ao quadrado da sua velocidade. Aplicada à brincadeira, essa lei implica que, quanto maior for a velocidade da pedra lançada, maior será a força de repulsão da água sobre ela, e menor a tendência de ela afundar. Para que a pedra quique, é preciso que o empuxo seja maior do que seu peso (a força que o 'puxa' para o fundo da água).
Mas não é só isso. Segundo Lydéric, a velocidade mínima para que uma pedra ricocheteie é diretamente proporcional à raiz quadrada da relação entre o peso e raio da pedra. Isso implica que, quanto maior a superfície e menor o peso da rocha, maiores as chances de ela quicar na água. Trocando em miúdos: como reza o senso comum, as melhores pedras são mesmo as mais leves e chatas.
E por que a pedra invariavelmente submerge? Segundo Lydéric, há uma perda de energia cinética a cada colisão, relacionada ao empuxo. Como a pedra se encontra ligeiramente inclinada em relação à água e a força que ela sofre é perpendicular a sua superfície, a pedra é empurrada não só para cima, mas também para trás (confira no esquema abaixo). Com isso, ela perde velocidade progressivamente e acaba por afundar.