. Não é exagero dizer que a marca alcançada é literalmente 'congelante': na verdade, a grandeza física que chamamos de temperatura mede o grau de 'agitação' dos átomos de um corpo.
Estudar o comportamento de átomos submetidos a temperaturas muito baixas era um desafio: se os cientistas tentassem 'confinar' um condensado de átomos resfriados em um recipiente, ele poderia aquecer os átomos ou interagir com eles ('grudá-los' em suas paredes). Os físicos do MIT resolveram o problema ao construírem um dispositivo batizado de 'armadilha gravito-magnética'.
Ela não apenas foi capaz de reunir os átomos num condensado de Bose-Einstein, como impediu que eles se grudassem nas paredes da estrutura e se mantivessem próximos de zero kelvin em equilíbrio por cerca de 3 minutos e meio. Isso foi possível graças à ação de um campo magnético externo, somada à força gravitacional da Terra.
"Imagine um balão cheio de ar: se diminuirmos a pressão fora do balão, ele se expande, e o ar em seu interior se esfria (pois usou energia para se expandir). A equipe do MIT fez algo parecido, diminuindo a pressão exercida pela 'armadilha gravito-magnética' na amostra de átomos de sódio", explica o físico Bruno Mota, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas.