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 NOTÍCIAS :: ECONOMIA

Escassez de água afeta produção agrícola mundial
Problema afeta Brasil em parte, mas gestão inadequada de recursos hídricos preocupa

Um levantamento feito em novembro pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima que em 2001 a safra mundial de grãos será 54 milhões de toneladas inferior à projeção de consumo. No ano anterior, a diferença havia sido de 34 milhões de toneladas. A crescente escassez de água em várias regiões do mundo é a maior responsável pela diminuição das safras, segundo aponta o Instituto de Políticas da Terra (EPI), organização não-governamental norte-americana. Essa tendência não se constata no Brasil, onde o problema não é a limitação dos recursos hídricos, mas o mau uso que se faz deles.

Produção e consumo mundial de grãos de 1965 a 2001
(em milhões de toneladas - fonte: USDA /
EPI)
Ano
Produção
Consumo
Diferença
1965
905
939
- 34
1970
1079
1114
- 35
1975
1237
1217
+ 20
1980
1430
1450
- 20
1985
1647
1555
+ 91
1990
1769
1717
+ 52
1995
1713
1762
- 49
2000
1835
1869
- 34
2001
1841
1895
- 54

Segundo dados do EPI, 70% em média das reservas de água de uma região são direcionadas para a irrigação agrícola, 20% para o uso de indústrias e 10% para residências. Em países onde o suprimento hídrico é limitado, a alternativa é satisfazer a demanda urbana com parte do recurso utilizado na agricultura. Como no cultivo de grãos cada tonelada produzida necessita ser irrigada por 1000 toneladas de água, importar grãos passou a ser a forma mais eficiente encontrada por esses países para economizar água. Os mercados que cada vez mais importam grãos são o norte da África e o Oriente Médio, regiões que mais sofrem com a escassez de água. Mas a seca e a limitação de recursos hídricos também têm afetado grandes exportadores como China.

Produção mundial de grãos de 1961 a 2001 (fonte: USDA / EPI)

 
 
 
No Brasil, que conta com cerca de 12% da reserva hidrográfica mundial, a realidade é outra. A região semi-árida do país apresenta níveis de precipitação superiores aos de outras partes do mundo que enfrentam a seca. Enquanto nos Estados Unidos, por exemplo, há locais que registram de 150 a 200 m3 anuais de chuva, na região mais seca do Brasil chove em média 700 m3 por ano, segundo dados apresentados por Everaldo Porto, presidente da Associação Brasileira de Manejamento e Capacitação de Água de Chuva.

"No Brasil, as safras têm sido maiores devido à irrigação", conta o geólogo Uriel Duarte, da Universidade de São Paulo. No entanto, o que mais preocupa os especialistas é o uso indiscriminado da água e a ausência de uma política de aproveitamento adequado dos recursos disponíveis em cada região do país.

Segundo Everaldo Porto, todo o país, inclusive a região semi-árida, segue a mesma política agrícola adotada na Zona da Mata, onde o nível anual de precipitação é de 1800 a 2000 m3 de água. "O agricultor não tem consciência de que é preciso economizar e por isso não gerencia bem os recursos de que dispõe", afirma. "A ausência de estudo das bacias hidrográficas também leva à construção de muitos açudes que podem saturar suas reservas."

Apesar das práticas inadequadas no Brasil, a ameaça de uma futura escassez de suprimentos alimentares não se verifica no país e pode ser evitada no futuro. "É preciso que existam campanhas de educação e conscientização sobre a necessidade de aproveitamento dos recursos", afirma Porto. "Também é importante que os estados realizem projetos que normatizem o uso das bacias hidrográficas no país."

Caroline Vilas Bôas
Ciência Hoje on-line
10/12/01

 

 
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