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 NOTÍCIAS :: ECOLOGIA E MEIO AMBIENTE

A caatinga degradada
Seminário estuda estratégias de conservação da biodiversidade do ecossistema

Durante muito tempo, acreditou-se que a caatinga fosse um ecossistema pobre, e por isso, poucos estudos foram desenvolvidos na região. Quando os pesquisadores resolveram se debruçar sobre esse bioma, identificaram 144 novas espécies de animais e vegetais endêmicos (exclusivos desse ecossistema). A descoberta foi divulgada em um seminário com o objetivo de estabelecer programas para a conservação da biodiversidade da caatinga e planejar meios de ocupação que não agridam o ecossistema local. O evento foi realizado entre 21 e 26 de maio em Petrolina (PE), e reuniu diversas instituições nacionais e internacionais de pesquisa.

144 novas espécies endêmicas foram identificadas na caatinga

No entanto, o estudo minucioso da caatinga não trouxe boas notícias. Os pesquisadores constataram que esse é o terceiro ecossistema brasileiro mais degradado, atrás apenas da Mata Atlântica e do cerrado. 50% de sua área foram alterados pela ação humana, sendo que 18% de forma considerada grave por especialistas. A desertificação, encontrada principalmente em áreas onde antes se desenvolvia o plantio de algodão, apresenta-se bastante avançada.

Outro fator responsável pela degradação da caatinga é a caça, que na região é praticada para subsistência. "Os animais são a única fonte de proteínas do sertanejo", explica o coordenador do seminário, o zoólogo José Maria Cardoso da Silva, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). "Para diminuir a caça, sugerimos que sejam criados animais pertencentes ao próprio ecossistema, como o mocó, bem aceito pelo povo da região."

A percentagem das áreas de caatinga protegidas por reservas e parques é ínfima: 0,002%, segundo o Ministério do Meio Ambiente. "Precisamos mudar esse patamar de proteção para não perdermos espécies que ocorrem apenas na caatinga", declarou a diretora de Áreas Protegidas do Ministério, Inah Simonetti, lembrando que o único exemplar existente em liberdade da ararinha-azul se encaixa nesse quadro. O Ministério já declarou seu interesse em transformar a caatinga em patrimônio nacional e assumir para si a responsabilidade da proteção. Que o gesto não sirva apenas como um reconhecimento tardio pelo governo do único bioma exclusivamente brasileiro.

Clique aqui para mais informações sobre as resoluções tomadas durante o seminário.

Leonardo Cosendey
Ciência Hoje/RJ

 

 
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