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 NOTÍCIAS :: ECOLOGIA E MEIO AMBIENTE

Amazônia absorve excesso de CO2 da atmosfera 
Estudo aponta que o saldo pode chegar a 5 toneladas anuais por hectare

A Floresta Amazônica retira todos os dias uma quantidade significativa de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera. Medições recentes indicam que a diferença entre o CO2 absorvido e liberado por cada hectare de floresta pode chegar a 5 toneladas anuais. Esta é uma das principais conclusões de uma pesquisa desenvolvida pelo Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), uma frente internacional de estudos sobre o ecossistema amazônico liderada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A Amazônia absorve mais CO2 do que libera e atua como sorvedouro de carbono

Durante seu processo de fotossíntese, as plantas absorvem gás carbônico da atmosfera. Na ausência de luz, os vegetais emitem CO2 pela respiração. O carbono da floresta também pode ser liberado sob a forma de queimadas ou desmatamento. Até agora, havia um consenso entre os cientistas segundo o qual a floresta não pertubada seria neutra. "Acreditava-se que a Amazônia não perdesse nem ganhasse carbono durante os processos de fotossíntese e respiração, apresentando apenas uma pequena perda para os rios, compensada pelos ganhos atmosféricos", relata Carlos Nobre, chefe do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do INPE.

No entanto, a expectativa não foi confirmada pela pesquisa do LBA. Dados coletados por torres colocadas sobre a copa das árvores para monitorar as trocas de carbono na Amazônia mostram que, no cômputo geral, a floresta absorve um percentual expressivo de gás carbônico. Esse resultado caracteriza o ecossistema como um sorvedouro de carbono. Os pesquisadores ainda não sabem a causa desse comportamento. Uma hipótese foi levantada durante o I Conferência do LBA, realizada em Belém entre 25 e 28 de junho: com o excesso de gás carbônico lançado na atmosfera por desmatamentos e queimadas, as plantas estariam executando o processo de fotossíntese com maior eficiência.

Segundo Carlos Nobre, a descoberta pode mudar a imagem da Amazônia. "A floresta talvez passe a ser reconhecida não apenas por sua biodiversidade, mas pela possibilidade de contribuir para contrabalancear o efeito estufa." Esse efeito, caracterizado pelo aquecimento da atmosfera, é provocado por gases como o CO2 que retêm o calor solar.

Mara Figueira
Ciência Hoje/RJ
04/07/00 

 

 
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