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 NOTÍCIAS :: ECOLOGIA E MEIO AMBIENTE

Brasil é dividido em 49 ecorregiões
Novo mapa permite uma melhor definição das unidades de conservação

O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) elaboraram um mapa que pode modificar os critérios para criação de áreas de preservação ecológica no Brasil. Apresentado durante a 52a Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o mapa divide o Brasil em 49 ecorregiões. Sua análise mostra que as unidades de conservação federais são poucas e incapazes de proteger e representar a biodiversidade e heterogeneidade de cada região.

As 49 ecorregiões brasileiras recém-definidas.

A WWF e o Ibama elaboraram também um mapa que traça novos limites para os sete biomas brasileiros (Amazônia, Mata Atlântica, Pantanal, cerrado, caatinga, campos sulinos e costões) e as três áreas de transição, que apresentam características de dois ou mais biomas. As características dos biomas não são as mesmas em toda sua extensão. Segundo o biólogo Leandro Ferreira, da WWF, as unidades de conservação existentes atualmente são definidas como se os biomas fossem homogêneos e, por isso, não preservam toda a heterogeneidade da região.

A Mata Atlântica e a Amazônia, por exemplo, são formadas por um mosaico de habitats com uma grande distribuição de ecossistemas. É difícil selecionar áreas de conservação que garantam uma boa representatividade da maioria dos habitats existentes. Por isso, no novo mapa, a Amazônia é dividida em 22 ecorregiões. "Poderemos agora analisar como é possível melhorar a representatividade das áreas, de forma que o aumento da quantidade de unidades de conservação se reflita na qualidade da fauna e flora", afirma Ferreira.

Novos limites para os sete biomas brasileiros e as três regiões de transição


Apesar de contar com quase 1/3 das florestas tropicais existentes no mundo, o Brasil apresenta somente 1,99% de seu território em unidades de conservação federais de uso indireto (cujos recursos naturais não podem ser explorados), uma média muito inferior à média mundial (6%) e pequena se comparada à da Bolívia (3,9%), Colômbia (7,9%) ou Venezuela (22%). "O Brasil protege muito pouco e as unidades de conservação estão distribuídas de maneira aleatória", alerta Ferreira. O percentual das áreas protegidas nos biomas varia de 0,01% (nas áreas de transição) a 6,24 % na área costeira. A Mata Atlântica, que originalmente cobria 13% do Brasil, tem 0,69% de sua área protegida. O cerrado, que chegou a ocupar 23% área brasileira, tem 0,85% de sua extensão protegidos em unidades de conservação. Nos campos sulinos, o índice é de 0,3%; na caatinga, 0,65%, e na Amazônia, 3,6%.

Mara Figueira
Ciência Hoje/RJ
19/07/00

 

 
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