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 NOTÍCIAS :: ECOLOGIA E MEIO AMBIENTE

Camada de gelo da Groenlândia está diminuindo
Maior ilha do planeta contribui para o aumento do nível dos oceanos

O gelo que cobre a costa da Groenlândia está se tornando mais fino. Esta é a primeira evidência concreta da contribuição da ilha para o aumento do nível dos oceanos. A constatação foi feita por cientistas da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa). Em alguns pontos do litoral da ilha, a diminuição na espessura da camada de gelo chega a mais de noventa centímetros por ano. Segundo estimativa dos pesquisadores, há uma perda anual de aproximadamente 51 quilômetros cúbicos de gelo em toda a costa da Groenlândia, o suficiente para aumentar o nível dos oceanos em 0,13 milímetros por ano, o que corresponde a 7% do aumento observado atualmente.

As áreas em azul indicam as regiões em que a perda de gelo é mais acentuada

A Groenlândia, a maior ilha do planeta, com 2.175.600 km2, apresenta 85% do seu território coberto por gelo. Por enquanto, a perda de gelo na ilha não é capaz de aumentar o nível dos mares a ponto de afetar as regiões costeiras do planeta. "Para que isso aconteça, é preciso que haja uma aceleração da tendência atual", disse à Ciência Hoje on-line William Krabill, cientista da Nasa que assinou na revista Science o artigo que descreve a descoberta. Krabill e sua equipe atribuem o derretimento acelerado verificado na região costeira da Groenlândia ao aquecimento do clima, embora não saibam explicar o ritmo rápido do fenômeno.

Enquanto a espessura da camada de gelo das áreas costeiras da Groenlândia diminui significativamente, na maior parte da região central da ilha, o gelo está se tornando mais grosso. "Com o aumento da temperatura, mais ar úmido move-se para o norte, o que pode causar a precipitação de neve adicional na camada de gelo, levando ao pequeno aumento de espessura que observamos", explica Krabill.

A descoberta dos cientistas foi viabilizada por um mapa preciso do gelo da Groenlândia desenvolvido pela Nasa. Seus pesquisadores monitoram a ilha há sete anos para entender as mudanças no clima terrestre. Em 2001, a agência deve lançar o IceSat, um satélite que permitirá aos pesquisadores monitorar rotineiramente a Groenlândia e o contintente antártico, que estão contribuindo para o aumento do nível dos oceanos. "O IceSat deve gerar dados para realizar uma comparação entre a perda de gelo nas duas localidades", antecipa Krabill.

Mara Figueira
Ciência Hoje/RJ
28/07/00

 

 
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