indica que os biomas teriam que se mover com uma velocidade de 10 quilômetros por ano para permanecer no clima a que estão adaptados. A maior taxa de deslocamento de biomas - 1 quilômetro por ano - foi registrada no final da última era glacial, há cerca de 10 mil anos. Segundo os autores do estudo, muitas espécies não conseguirão alcançar velocidade tão alta e desaparecerão.
Os hábitats encontrados nas latitudes norte do Canadá, Rússia e Escandinávia são os que correm maior perigo de extinção. Nessas regiões, como o aquecimento é mais severo, cerca de 70% dos habitats podem ser extintos. Rússia, Suíça, Finlândia, Letônia, Uruguai, Butão e Mongólia podem perder 45% ou mais de seus hábitats atuais. "O mapa mostra que grandes áreas do Brasil, incluindo o leste e o sul da Amazônia e muito do Brasil central e do sul, estão ameaçadas", afirma Jay Malcolm.
As espécies com maior risco de extinção são as raras e que vivem em hábitats isolados ou fragmentados. "Como essas populações são menores e concentradas, o processo de migração não é tão rápido", explica Malcolm. "Além disso, é mais difícil migrar por meios hostis, como espécies de uma floresta movendo-se por uma área agrícola."
Mara Figueira
Ciência Hoje/RJ
11/09/00