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500 anos de Mata Atlântica
CD-ROM revê história da floresta que foi cenário da formação do Brasil
A Mata Atlântica é o quarto sistema mais ameaçado do planeta. Na tentativa de resgatar sua história - do descobrimento do Brasil aos dias atuais - e alertar para o valor da conservação dos recursos naturais, foi lançado o CD-ROM Mata Atlântica - 500 anos, que inaugurou uma exposição itinerante com o mesmo nome no Museu Botânico do Rio de Janeiro. A iniciativa é da Estação da Arte, do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro e da Petrobras e integra o projeto Enciclopédia Mata Atlântica, que deve gerar ainda mais dois CD-ROMs.
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Em 1500, a Mata Atlântica se estendia por cerca de 1.300.000 km2 Hoje, está reduzida a aproximadamente 6% de sua cobertura original, só resistindo em pequenas áreas do Sul, Sudeste e Nordeste | | |
Formada pelo corpo florestal extra-amazônico, que compreende diferentes tipos de vegetação, a Mata Atlântica foi cenário da história do Brasil, cujo nome teve origem de uma árvore típica desse bioma: o pau-brasil. A espécie foi a primeira riqueza encontrada e explorada pelos europeus em nossas terras - como constatou Américo Vespúcio na primeira expedição de reconhecimento da costa brasileira - e foi responsável pelo primeiro momento da destruição da Mata Atlântica. A importância do pau-brasil se refletiu também nos mapas da época, aparecendo como característica principal da terra descoberta.
O CD-ROM mostra a mata a partir de seus personagens, cenários e vozes. Os personagens são plantas que identificam cada período histórico brasileiro. A mandioca caracteriza o pré-descobrimento, quando os índios Tupi-guarani eram a etnia predominante na Mata Atlântica. O pau-brasil representa o período do descobrimento, a cana-de-açúcar mostra a agromanufatura do açúcar e o Proálcool e o capim simboliza a pecuária. A mineração, que destruiu mais a floresta que os dois primeiros séculos de lavoura, é identificada pelas madeiras nobres, como o jacarandá, o pinheiro-do-Paraná e o cedro. Finalizando os períodos históricos, aparecem o café e o cacau, simbolizando respectivamente a cafeicultura e cacauicultura.
Entre os cenários, são mostrados os diversos aspectos naturais da Floresta e a influência dos grupos sociais e momentos históricos na sua transformação. A seção Vozes apresenta uma seleção de relatos de naturalistas, viajantes, exploradores e artistas, a partir de trechos de cartas, livros, documentos oficiais e diários.
A produção do CD-ROM, incluindo a pesquisa, consumiu 18 meses e contou com o trabalho de botânicos, historiadores e outros profissionais. Cerca de 700 imagens retratam a Mata Atlântica nos cinco séculos de nossa história, permitindo que o público conheça uma paisagem que, apesar da sistemática devastação, ainda é reconhecida internacionalmente por sua enorme biodiversidade.
CD-ROM Mata Atlântica - 500 anos Estação da Arte, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro e Petrobras
Thaís Fernandes Ciência Hoje/RJ 06/11/00 |