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 NOTÍCIAS :: ECOLOGIA E MEIO AMBIENTE

Genética pode ajudar a evitar extinção de árvores
Cientistas analisam DNA de espécies isoladas em diferentes focos de floresta

A análise genética de folhas e pólen pode ajudar a manter vivas a Mata Atlântica e a Amazônia. Cientistas do Laboratório de Genética Florestal da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP) vêm estudando o impacto da fragmentação das florestas, causada pela ação humana, sobre o genótipo de algumas espécies de árvores para tentar salvá-las da extinção.

O cedro (Cedrela fissilis) é uma das 8 espécies cujo DNA está sendo analisado

O Parque Estadual do Morro do Diabo, no Pontal de Paranapanema (SP), é um dos locais em que o estudo está sendo desenvolvido. Essa reserva de 35 mil hectares é rodeada por pequenos focos de florestas (com cerca de 600 hectares cada um) já devastados pelo homem. Nesses pedaços de mata, algumas plantas ficaram isoladas de outras da mesma espécie. Os cientistas estão coletando folhas de oito espécies de árvores que correm risco de extinção e se propõem a comparar o DNA das plantas da reserva original com o das situadas na floresta devastada para avaliar a variabilidade genética entre elas.

Os pesquisadores acreditam que os descendentes das plantas isoladas nos focos florestais foram perdendo os genes originais. Uma outra hipótese para explicar as alterações genéticas é a endogamia, que ocorre quando duas árvores irmãs se cruzam e geram uma semente defeituosa. Segundo o geneticista florestal Paulo Yoshio, coordenador do projeto, isso acontece porque, dentro dos fragmentos florestais, o campo de ação dos polinizadores é restrito, e duas árvores irmãs acabam crescendo muito próximas.

Em focos isolados de florestas, o campo de ação de polinizadores como o morcego é restrito. Isso pode levar ao cruzamento de árvores irmãs


As espécies selecionadas para análise genética no Pontal foram jatobá, cedro, cafistola e espinheira-santa. No Acre, onde 32 mil hectares da Amazônia também estão incluídos no projeto, foram escolhidas seringueira, castanheira, açaizeiro e outro tipo de cedro. O mapeamento das espécies é feito em parceria com as comunidades que vivem nessas áreas. "Os moradores conhecem a região melhor que ninguém", afirma Yoshio. "Tanto os extrativistas do Acre quanto os agricultores assentados do Pontal dependem da floresta e, por isso, não hesitaram em ajudar nossa equipe."

Para salvar as espécies isoladas nos focos de floresta, os pesquisadores propõem que um corredor de árvores seja plantado de forma a ligar a reserva aos fragmentos. Chamados 'trampolins ecológicos' pelos assentados, esses corredores servirão de passagem para abelhas, morcegos, borboletas e beija-flores - os maiores responsáveis pela polinização e, conseqüentemente, pela proliferação das espécies.

Andressa Camargo
Ciência Hoje/RJ
01/12/00

 

 
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