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As principais diferenças morfológicas entre os Phylloscopus trochiloides que vivem no leste e no oeste da Sibéria residem na cor das penas de suas asas. Essas aves têm listras amarelas nas asas cujo tamanho varia em diferentes populações. "As diferenças são sutis, mas as listras são menores nos pássaros da Sibéria ocidental", disse Darren Irwin à CH on-line.

A equipe de Irwin determinou também o parentesco genético das diferentes populações, a partir da análise do DNA mitocondrial e de microssatélites de DNA de 149 indivíduos. "Os pássaros do leste e oeste da Sibéria apresentam algumas seqüências genéticas muito diferentes e são distantemente aparentados", concluiu o biólogo.

 

 NOTÍCIAS :: ECOLOGIA E MEIO AMBIENTE

A especiação passo a passo
Descritas as etapas do processo que leva uma espécie a se dividir em duas

Um mistério sobre a evolução das espécies pode ter sido resolvido por biólogos da Universidade da Califórnia em San Diego (Estados Unidos). Estudando os genes e o comportamento de pássaros, eles identificaram como uma espécie pode se dividir em duas que não se cruzam mais. As etapas intermediárias desse processo - que os cientistas descreveram pela primeira vez - constituem, segundo eles, o 'elo perdido' que Darwin tentou encontrar para sustentar sua teoria da seleção natural. O estudo foi publicado em 18 de janeiro na revista Nature.

Os cientistas estudaram 15 populações de Phylloscopus trochiloides, pequenos pássaros canoros que vivem nas florestas da Ásia temperada
(foto: Darren Irwin/UCSD)

Segundo Darren Irwin, coordenador da pesquisa, durante a última era glacial, quando a Sibéria se dividiu em pequenas 'ilhas' de floresta, as populações de Phylloscopus trochiloides foram confinadas ao sul da área em que viviam anteriormente. Quando a floresta voltou a se expandir, as aves teriam seguido para o norte circundando o planalto tibetano por dois caminhos diferentes (pelo leste e pelo oeste). Depois, elas se reencontraram no centro da Sibéria, mas já estavam tão mudadas que não se cruzavam mais - haviam se tornado espécies distintas.

O quadro corresponde àquilo que os cientistas chamam de um 'anel de espécies' (ring species) - situação em que uma cadeia de populações se divide por causa de fatores geográficos. Uma vez separados, os grupos de indivíduos, ao se adaptarem ao novo meio, sofrem mudanças graduais (genéticas, morfológicas e comportamentais) ao longo de várias gerações. Isso pode levar à especiação, quando os grupos se tornam tão diferentes que, embora venham da mesma espécie, não se cruzam mais.

Esses 'anéis' permitem identificar as diversas etapas do processo de especiação, das pequenas divergências observadas em populações vizinhas às diferenças que distinguem uma espécie de outra. A partir da localização de um anel contínuo de populações de Phylloscopus trochiloides em torno do planalto tibetano, os cientistas descobriram variações graduais nos padrões de canto, na morfologia e nos marcadores genéticos de 15 populações da ave. Com isso, eles puderam ligar duas espécies distintas que não se cruzavam mais a uma espécie original única.

Para estudar o comportamento dos P. trochiloides, os cientistas gravaram o canto de machos, levaram as gravações para a floresta e avaliaram a reação de outros pássaros. Eles descobriram que os dois grupos de aves da Sibéria central que não se cruzam não reconhecem os cantos uns dos outros. "Parece que, nas populações que circundaram o planalto tibetano pelo oeste, o canto dos machos para atrair fêmeas se tornou mais longo e complexo", disse Irwin à CH on-line. "A pesquisa será útil para a compreensão do processo evolutivo em outras espécies."

Andressa Camargo
Ciência Hoje/RJ
22/01/01

 

 
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