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 NOTÍCIAS :: ECOLOGIA E MEIO AMBIENTE

Incêndios reduzem captação de luz solar na Amazônia
Fuligem prejudica a fotossíntese e a formação de nuvens de chuva

Cientistas brasileiros descobriram que a radiação solar que atinge a copa das árvores da Amazônia diminui por causa das queimadas. Eles mostraram que a fotossíntese e a formação de nuvens de chuva são prejudicadas pelos incêndios que afetam a floresta. Os pesquisadores determinaram ainda que a quantidade de gás carbônico absorvida pela Amazônia é menor do que se imaginava. Esses achados foram apresentados à comunidade científica internacional em fevereiro deste ano, durante o encontro da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS). Artigos sobre a participação do projeto brasileiro nesta reunião foram publicados nas revistas Nature e Science.

Partículas de carbono geradas em queimadas absorvem grande parte da radiação solar, afetam a fotossíntese e diminuem a quantidade de matéria viva na Amazônia

O trabalho faz parte dos Institutos do Milênio, programa criado pelo governo federal para incentivar pesquisas em áreas estratégicas para o desenvolvimento do país. Além disso, o estudo está associado ao Experimento em Grande Escala da Biosfera e da Atmosfera da Amazônia (LBA). "O objetivo do projeto LBA é compreender o funcionamento do ecossistema amazônico e envolve cientistas de todo o mundo", diz Paulo Artaxo, físico da Universidade de São Paulo e coordenador do Instituto do Milênio que estuda a relação entre o clima e o uso do solo da Amazônia.

A equipe de Artaxo mediu com aparelhos especiais a radiação solar que chega ao topo das árvores em diferentes pontos da Amazônia. "Verificamos que as queimadas provocam uma redução da luz absorvida pelas plantas", afirma o físico. Os incêndios na floresta produzem numerosas partículas de carbono -- a fuligem -- que se espalham pelo ar. A fuligem consegue absorver grande parte da luz solar que atinge a Amazônia e, assim, a quantidade de luz disponível para as plantas fica reduzida.

"Como as folhas recebem menos radiação, a fotossíntese fica prejudicada", explica Artaxo. A fotossíntese é um conjunto de reações químicas realizadas pelos vegetais -- na presença da luz do Sol -- que transformam gás carbônico em açúcares. Se uma quantidade menor de radiação atinge a copa das árvores, o gás carbônico é pouco consumido, se acumula na atmosfera e aumenta a temperatura na Terra -- fenômeno conhecido como efeito estufa. Da mesma forma, as plantas produzem menos açúcares e, como essas substâncias são essenciais para todos os organismos, a quantidade de matéria viva na região amazônica diminui.

As partículas de carbono geradas durante as queimadas também ajudam na formação das nuvens e das gotas de chuva, pois funcionam como núcleos que retêm e condensam o vapor d'água. No entanto, como o número dessas partículas é muito grande, há uma forte competição pelas moléculas de vapor, as nuvens não se formam e as chuvas se tornam escassas.

As queimadas fazem parte da economia da Amazônia: os agricultores derrubam e queimam a mata para preparar campos de cultivo. "Estudamos técnicas alternativas de ocupação do solo amazônico", diz Artaxo. "Nossas descobertas não são válidas apenas para a floresta amazônica, mas também para várias outras regiões tropicais do planeta, como a África e a Ásia."

Fernanda Marques
Ciência Hoje on-line
1o/03/02

 

 
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