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 NOTÍCIAS :: ECOLOGIA E MEIO AMBIENTE

Contra a extinção das plantas medicinais brasileiras
Pesquisadores coletam informações sobre importantes espécies da flora nacional

O governo decidiu investir em novas estratégias para preservar as plantas medicinais do Brasil. Por isso, pesquisadores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com o apoio de outras instituições, trabalham para reunir dados sobre vegetais com propriedades terapêuticas encontrados em território nacional. Essas informações serão catalogadas em um banco de dados e podem ajudar a evitar a coleta indiscriminada e a extinção de muitas espécies.

A espinheira-santa (Maytenus ilicifolia), que ocorre na Mata Atlântica e é adotada no tratamento de úlceras, está entre as plantas medicinais brasileiras mais procuradas

"O objetivo do trabalho não é simplesmente montar um banco de dados", afirma a bióloga Suelma Ribeiro, coordenadora do Núcleo Nacional para Conservação, Proteção e Manejo Sustentável de Plantas Medicinais -- órgão ligado ao Ibama responsável pela coleta das informações. "Pretendemos utilizar os dados disponíveis para desenvolver programas de conservação das espécies." Para conhecer melhor a flora do Brasil, os pesquisadores analisam artigos científicos sobre vegetais com propriedades terapêuticas. Além disso, eles realizam expedições na Amazônia, Mata Atlântica, caatinga e cerrado.

"Queremos determinar em que regiões as plantas crescem, qual o melhor clima e o solo mais adequado para seu desenvolvimento", diz Ribeiro. Os pesquisadores também estudam o tipo de reprodução de cada espécie. "Se soubermos quais são as condições ideais para que um vegetal se reproduza, poderemos tornar sua propagação mais eficiente." O Ibama pretende ainda verificar se a velocidade de multiplicação das plantas medicinais está de acordo com a demanda do mercado. Caso se confirme que o consumo de certas espécies é muito superior à produção, pesquisadores e autoridades deverão tomar medidas apropriadas para combater o comércio indiscriminado e impedir a extinção desses vegetais.

Um estudo recente atestou as propriedades analgésicas e
antiinflamatórias da arnica brasileira (Lychnophora ericoides), que ocorre em campos rupestres (foto: Norberto Lopes)

Entre as plantas medicinais mais procuradas, encontram-se a espinheira santa (Maytenus ilicifolia), aplicada no tratamento de úlceras, e a arnica brasileira (Lychnophora ericoides), que tem propriedades analgésicas e antiinflamatórias. A eficácia terapêutica dessas duas espécies já tem respaldo científico. Já plantas como o ipê-roxo (Tabebuia impetiginosa), usado no combate ao câncer, ainda não tiveram sua eficiência comprovado cientificamente. "Grande parte do conhecimento sobre os possíveis usos das plantas medicinais se deve à sabedoria popular", afirma Ribeiro. "No entanto, trabalhos que verifiquem as propriedades curativas dessas espécies não são agora o objetivo do Ibama."

Os pesquisadores se dedicam hoje ao estudo de 92 espécies selecionadas como as mais importantes por instituições -- governamentais ou não -- que trabalham para conservar as plantas medicinais do país. "A flora brasileira é riquíssima", diz Ribeiro. "Conhecer todo o seu potencial é um trabalho infindável."

Fernanda Marques
Ciência Hoje on-line
19/03/02

 

 
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