SOMENTE NO ACERVO
DA REVISTA CH
 
   
   
   
   
   
   
   
 

 

 NOTÍCIAS :: ECOLOGIA E MEIO AMBIENTE

Estudo caracteriza manguezais da Baía de Guanabara
Multa por acidente ecológico custeia projeto que ajudará a preservar ecossistema

Foi concluída em maio a caracterização estrutural dos manguezais da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapimirim (RJ). O estudo, que mediu 4355 troncos de árvores de mangues em 51 áreas pré-definidas na região, servirá de base para o estabelecimento de níveis de conservação desse ecossistema. A iniciativa faz parte do Projeto Manguezal, desenvolvido desde março de 2001 pelo Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Manguezais associados ao canal Suruí-mirim (ao fundo, a baía de Guanabara)
(foto: Viviane Oliveira)

"A observação da estrutura vegetal é importante para avaliarmos a interferência humana nesses bosques. Intactos eles não estão", aponta a pesquisadora Viviane Oliveira, que ao lado de Julio Pellegrini é responsável pela caracterização do ecossistema. Nas 47 excursões de campo aos manguezais do local, os pesquisadores observaram fatores prejudiciais à sua conservação como lixo, desmatamento, aterros, além da ação de substâncias poluentes e esgoto.

"Ainda não podemos apontar qual é o fator de maior prejuízo ao funcionamento natural dos mangues", explica Oliveira. "Fizemos o levantamento de dados, mas as conclusões serão apresentadas no encerramento do projeto, em julho. No entanto, por mais que tenham sofrido degradações, os manguezais da APA de Guapimirim continuam exuberantes e, com certeza, são os principais responsáveis pela vida da Baía de Guanabara."

Manguezal da região do rio Suruí durante maré cheia (foto: Fábio Corrêa)

O Projeto Manguezal é financiado por parte dos recursos oriundos da multa imposta à Petrobras pelo rompimento de um oleoduto em 2000, que derramou um milhão e trezentos mil litros de óleo na Baía de Guanabara. Ele é coordenado por Bruno Kurtz, pesquisador do Jardim Botânico, e conta com a colaboração de Mário Soares, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

O derramamento de óleo atingiu bosques de mangue próximos aos rios Suruí e Iriri, em Magé, além da região de Itaoca, em São Gonçalo. Essas áreas formam a APA de Guapimirim, juntamente com os municípios de Guapimirim e Itaboraí. O acidente ecológico apontou a desinformação e o despreparo da empresa, da população e das autoridades locais para a preservação dos manguezais, que hoje contam com apenas 32% de sua área original. "Os manguezais dessa região são os principais remanescentes da Baía de Guanabara, o que aumenta a responsabilidade do projeto", aponta Pellegrini.

A partir de setembro, os manguezais serão tema do Laboratório Didático, uma das atividades promovidas com escolas pelo Núcleo de Educação Ambiental do Jardim Botânico. O objetivo é apontar a importância dos manguezais, que, além de formarem ambiente ideal para abrigo, alimentação e reprodução de diversas espécies, também agem na proteção da linha de costa, por evitar a ação erosiva das marés. "Vamos reproduzir no Jardim Botânico o ambiente de mangues para que as crianças entrem em contato com o ecossistema", conta Oliveira. "Esperamos que o Projeto Manguezal sirva de base para outras iniciativas de conservação, inclusive com outros mangues, não só da Baía de Guanabara."

Elisa Martins
especial para a CH on-line
12/06/02

 

 
  INÍCIO O INSTITUTO CH ON-LINE REVISTA CH CH DAS CRIANÇAS APOIO À EDUCAÇÃO CONTATO