O Projeto Manguezal é financiado por parte dos recursos oriundos da multa imposta à Petrobras pelo rompimento de um oleoduto em 2000, que derramou um milhão e trezentos mil litros de óleo na Baía de Guanabara. Ele é coordenado por Bruno Kurtz, pesquisador do Jardim Botânico, e conta com a colaboração de Mário Soares, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
O derramamento de óleo atingiu bosques de mangue próximos aos rios Suruí e Iriri, em Magé, além da região de Itaoca, em São Gonçalo. Essas áreas formam a APA de Guapimirim, juntamente com os municípios de Guapimirim e Itaboraí. O acidente ecológico apontou a desinformação e o despreparo da empresa, da população e das autoridades locais para a preservação dos manguezais, que hoje contam com apenas 32% de sua área original. "Os manguezais dessa região são os principais remanescentes da Baía de Guanabara, o que aumenta a responsabilidade do projeto", aponta Pellegrini.
A partir de setembro, os manguezais serão tema do Laboratório Didático, uma das atividades promovidas com escolas pelo Núcleo de Educação Ambiental do Jardim Botânico. O objetivo é apontar a importância dos manguezais, que, além de formarem ambiente ideal para abrigo, alimentação e reprodução de diversas espécies, também agem na proteção da linha de costa, por evitar a ação erosiva das marés. "Vamos reproduzir no Jardim Botânico o ambiente de mangues para que as crianças entrem em contato com o ecossistema", conta Oliveira. "Esperamos que o Projeto Manguezal sirva de base para outras iniciativas de conservação, inclusive com outros mangues, não só da Baía de Guanabara."
Elisa Martins
especial para a CH on-line
12/06/02