. No entanto, se consideradas todas as emissões desse gás no decorrer da história, a responsabilidade do país é de menos de 1%. "A industrialização brasileira foi tardia e, portanto, o país só passou a gerar gases de efeito estufa em larga escala bem mais tarde que outros países", explica Miguez.
No Brasil, os maiores responsáveis por emissões de gases de efeito estufa são o desmatamento, o setor energético e a criação de animais ruminantes. Em média, estima-se que 6% de todo o alimento consumido pelo gado no mundo seja convertido em gás metano, que é liberado por eructação (arrotos dos bois).
"Se considerarmos apenas rebanhos bovinos, o Brasil tem 170 milhões de animais e cada um deles produz em média 60 quilos de metano por ano", diz Magda Lima, pesquisadora da Embrapa que participou da elaboração dos relatórios do setor agropecuário. "Estamos investigando a influência de diferentes dietas na emissão de metano por bovinos de corte e de leite." Os pesquisadores da Embrapa estudam uma alimentação alternativa que faça o gado liberar menos metano sem alterar sua produtividade.
Segundo a pesquisadora, a criação de gado é uma atividade tradicional, mas poucos conhecem o impacto ambiental que ela provoca. Assim, implementar medidas para reduzir a emissão de gases na pecuária seria uma tarefa complicada. No entanto, em outros setores da economia, o combate ao efeito estufa está acirrado. "Já houve inclusive mudanças em leis", comemora Miguez. A legislação ambiental brasileira proíbe, por exemplo, a queima de cana-de-açúcar. "Devemos destacar ainda os empreendimentos voltados ao seqüestro de carbono por meio de reflorestamento e outras práticas florestais e agropecuárias", acrescenta Lima.
Vale lembrar que, durante a Segunda Conferência Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), o Brasil, assim como outros países, se comprometeu a monitorar suas emissões de gases de efeito estufa e implementar medidas para reduzi-las. Hoje, dez anos depois, o inventário indica que o país está honrando esse compromisso.