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 NOTÍCIAS :: ECOLOGIA E MEIO AMBIENTE

Corredor ecológico ajuda a recuperar área desmatada
Faixa de hábitat que une duas regiões aumenta intercâmbio de animais e plantas

O crescimento urbano reduz o espaço ocupado por florestas, que ficam resumidas a pequenas regiões isoladas entre si. A manutenção dos ecossistemas passa a depender do intercâmbio de espécies vegetais e animais entre as áreas fragmentadas. Para garantir essa interação, ecologistas incentivam a criação de corredores ecológicos -- faixas de hábitat nativo que ligam as regiões remanescentes das florestas.

As áreas mais claras correspondem a clareiras abertas na floresta. Entre as clareiras conectadas por um corredor, o intercâmbio de espécies animais e vegetais é maior (foto: reprodução / PNAS)

A eficácia dessa estratégia foi comprovada em estudo liderado pelo pesquisador Joshua Tewksbury, da Universidade da Flórida (EUA). "Nosso experimento sobre a função de corredores ecológicos é o maior já realizado", disse Tewksbury à CH on-line. Sua equipe verificou que, entre áreas desmatadas, não é só o movimento de animais que aumenta quando elas são conectadas: os processos de polinização e dispersão de sementes também se intensificam, o que implica maior interação entre bichos e plantas. Os cientistas inferiram que esse intercâmbio ocorreria também em fragmentos de floresta conectados por corredores.

O trabalho foi desenvolvido no Parque Nacional de Pesquisa Ambiental (Califórnia), onde foram selecionadas oito regiões de floresta de pinheiros com 500 mil m2 cada uma. Em cada uma, certos locais tiveram suas árvores derrubadas e a vegetação queimada. Foram abertas cinco clareiras por região: uma central e quatro outras ao seu redor. Apenas uma das periféricas foi ligada à central. O corredor que as unia, com 150 metros de comprimento e 25 de largura, também teve sua vegetação removida.

Para verificar como o corredor influenciava a movimentação de animais, os cientistas marcaram borboletas que voavam nas clareiras centrais. Após algumas semanas, eles verificaram quantos dos insetos marcados tinham alcançado as clareiras periféricas. Eles observaram que o número de borboletas era pelo menos duas vezes maior na clareira conectada do que nas outras.

Em outro ensaio, os cientistas plantaram arbustos machos nas clareiras centrais e, nas periféricas, fêmeas da mesma espécie nas periféricas. Mais tarde, constataram que as fêmeas da clareira conectada produziam 70% mais flores e frutos que as das outras áreas. As plantas só floresceram porque insetos e aves levaram até as fêmeas grãos de pólen produzidos pelos machos, o que mostra que o corredor ecológico estimula a interação entre espécies animais e vegetais.

A equipe estudou ainda a influência do corredor na dispersão de sementes e observou que esse processo podia ser até duas vezes mais intenso na clareira conectada. Assim, os animais que transportam sementes de uma clareira para outra preferem passar pelo corredor, onde a vegetação também foi removida, do que pela floresta de pinheiros, ou seja, seguem pelo caminho que mais se parece com o lugar de onde saíram. "Os resultados mostram que os corredores conduzem a movimentação, pelo menos de insetos e plantas", diz Tewksbury, cujo estudo foi publicado em 1º de outubro na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Fernanda Marques
Ciência Hoje on-line
23/10/02

 

 
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