A situação dos recifes piorou com o aumento da temperatura global, que provoca o branqueamento, fenômeno caracterizado pela perda dos organismos que dão cor aos tecidos dos corais e são fundamentais para sua sobrevivência. A exposição por um a dois dias a temperaturas 4 a 5º C acima da média (que é de 25 a 30º C) já pode matar os corais. Em 1998, mortes de corais em grande escala foram registradas em várias partes do mundo por causa do El Niño.
Pandolfi ressalta, porém, que o branqueamento é recente e só vem agravar milhares de anos de exploração humana. Ele compara o fenômeno a um resfriado, que pode matar uma pessoa muito doente, mas não ameaça indivíduos saudáveis. "Se os corais não estivessem tão debilitados, lidariam muito melhor com o branqueamento", explica.
A expansão do número de áreas marinhas de conservação máxima, que hoje cobrem menos de 5% dos recifes de países desenvolvidos, e a criação de tratados ou acordos internacionais para a preservação desses ecossistemas devem ser encaradas como políticas a serem implementadas imediatamente.
Segundo a bióloga Débora de Oliveira Pires, professora do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, não há estudos históricos dos recifes brasileiros como o da equipe de Pandolfi. Porém, existem relatos do século 19 de recifes no Nordeste dizimados pela extração direta de corais para abrir caminho para atividades portuárias, para a fabricação de cal ou uso como blocos de construção. "Existem no Brasil muitos recifes ainda não estudados e até alguns que sequer foram localizados e corretamente mapeados", diz Débora.
Liza Albuquerque
Ciência Hoje on-line
21/08/03