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 NOTÍCIAS :: ECOLOGIA E MEIO AMBIENTE

Devastação dos recifes de coral é milenar
Um terço desses ecossistemas já está à beira da extinção, alertam pesquisadores

A degradação dos recifes de coral do planeta teve início há milhares de anos, bem antes dos primeiros registros de mortandade em massa feitos na segunda metade do século 20. Cerca de um terço desses ecossistemas está extremamente debilitado, índice que pode dobrar até 2030. O alerta foi dado na edição de 15 de agosto da revista Science, que publicou um dossiê especial sobre o tema.

Pesca excessiva e poluição são as principais causas da destruição dos corais (fotos: T. Hughes)

Um dos artigos chama atenção para a atual situação dos recifes. Uma equipe de 12 cientistas de diversos países liderados pelo paleontólogo especializado em corais John Pandolfi, da Smithsonian Institution (EUA), reconstruiu a história ecológica de 14 recifes de coral de todo o mundo e descobriu que nenhum estava intacto.

"Os principais agentes responsáveis pela degradação dos corais -- pesca excessiva e poluição -- têm afetado esses ecossistemas desde seu primeiro contato com humanos", disse Pandolfi à CH On-Line. Sintomática dessa devastação é a situação dos animais de grande porte -- os primeiros a sofrer com a ação antrópica. No início do século 20, eles eram raros ou estavam extintos em mais de 80% das regiões examinadas.

Os cientistas constataram que os recifes de coral do Mar do Caribe estão em pior situação que os da Austrália ou do Mar Vermelho. Entre os ecossistemas analisados (nenhum deles no Brasil), o mais preservado é o da Grande Barreira de Corais, na costa nordeste da Austrália.

60% dos recifes de coral, que servem de hábitat para inúmeras espécies de peixe e outros seres, podem estar praticamente extintos até 2030


A situação dos recifes piorou com o aumento da temperatura global, que provoca o branqueamento, fenômeno caracterizado pela perda dos organismos que dão cor aos tecidos dos corais e são fundamentais para sua sobrevivência. A exposição por um a dois dias a temperaturas 4 a 5º C acima da média (que é de 25 a 30º C) já pode matar os corais. Em 1998, mortes de corais em grande escala foram registradas em várias partes do mundo por causa do El Niño.

Pandolfi ressalta, porém, que o branqueamento é recente e só vem agravar milhares de anos de exploração humana. Ele compara o fenômeno a um resfriado, que pode matar uma pessoa muito doente, mas não ameaça indivíduos saudáveis. "Se os corais não estivessem tão debilitados, lidariam muito melhor com o branqueamento", explica.

A expansão do número de áreas marinhas de conservação máxima, que hoje cobrem menos de 5% dos recifes de países desenvolvidos, e a criação de tratados ou acordos internacionais para a preservação desses ecossistemas devem ser encaradas como políticas a serem implementadas imediatamente.

Segundo a bióloga Débora de Oliveira Pires, professora do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, não há estudos históricos dos recifes brasileiros como o da equipe de Pandolfi. Porém, existem relatos do século 19 de recifes no Nordeste dizimados pela extração direta de corais para abrir caminho para atividades portuárias, para a fabricação de cal ou uso como blocos de construção. "Existem no Brasil muitos recifes ainda não estudados e até alguns que sequer foram localizados e corretamente mapeados", diz Débora.

Liza Albuquerque
Ciência Hoje on-line
21/08/03

 

 
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