"Podem ser reaproveitadas as cerca de 33 mil toneladas de guimbas que o Brasil produz por ano", diz Marco Antônio. Não apenas a coleta pública de lixo, mas também os resíduos de indústrias de cigarro e até os cigarros falsificados apreendidos podem ser transformados em papel nobre, para uso em impressão.
Uma recente parceria entre os pesquisadores e um shopping center de Brasília provou que é viável realizar a coleta seletiva do material e utilizá-lo de forma eficaz. "Trabalhamos com 100 litros de guimbas por semana e o índice de aproveitamento é bastante alto", afirma Thérèse.
Ainda em escala experimental, o projeto despertou o interesse de empresas químicas e fabricantes de cigarro, que vêm na iniciativa uma maneira de garantir uma imagem 'ecologicamente correta'. "Para uma indústria é seguro embarcar nesse projeto, pois não são necessárias grandes mudanças estruturais ou altos investimentos", diz Marco Antônio.
O próximo passo consistirá em elaborar um estudo da viabilidade econômica do processo de reciclagem, mas desde já se acredita que o custo será baixo o bastante para que microempresários invistam e comunidades carentes adotem o projeto como fonte alternativa de renda.
Fábia Andérez
Ciência Hoje On-line
04/11/03