No novo estado de equilíbrio, a floresta seria reduzida e sua vegetação constituída de árvores de menor porte. Apareceriam também áreas de semi-deserto no Nordeste, no lugar da caatinga. O engenheiro alerta que, atingido o novo equilíbrio, os mecanismos naturais não fariam a vegetação do Norte-Nordeste voltar a ser a mesma de hoje.
O estudo não indica o tempo necessário para essa mudança. "Como adotamos um modelo de vegetação que se ajusta 'instantaneamente' a mudanças de clima, reduziu-se o tempo necessário para o sistema vegetação-clima atingir um estado de equilíbrio", diz Oyama. Da mesma forma, o modelo não prevê a proporção de desmatamento para que se atinja o novo equilíbrio.
Na Amazônia, a devastação -- que chega a 15% -- ocorre em grandes proporções nas fronteiras sul e leste -- a área mais vulnerável à savanização indicada pelo estudo. A situação da caatinga não é diferente. Ali, o desmatamento chega a mais de 10%, de acordo com relatório do Ministério do Meio Ambiente de 2000.
A manutenção dessa tendência pode fazer com que o Norte-Nordeste passe de um estado de equilíbrio para outro. "A mudança na vegetação, provocada pela ação antrópica, seria capaz de gerar essa mudança climática", alerta Oyama.
Liza Albuquerque
Ciência Hoje On-line
04/12/03