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Leia abaixo a letra do samba-enredo de 2004 da Unidos da Tijuca, composto por Jurandir, Wanderlei, Sereno e Enilson. Clique aqui para ouvir o samba interpretado por Wantuir (arquivo de formato .wma disponível no site da Unidos da Tijuca).
Nessa máquina do tempo, eu vou Vou viajar... (com a Tijuca te levar) À era do Renascimento De sonhos e criação Desejos, transformação Acreditar, desafiar Superar os limites do homem Brincar de Deus, criar a vida Querer voar e flutuar
É tempo de sonhar... É tempo de alquimia Querer chegar à perfeição Com tecnologia
Na arte da ciência A busca continua Na luta incessante pra vencer o mal E no vaivém dessa história O velho sonho de ser imortal Profecia, loucura, magia A vontade de explorar A lua, a terra e o mar Pro futuro viajar, eu vou Mistérios que ainda quero desvendar, levar O destino é quem dirá O amanhã, como será
Sonhei amor e vou lutar Para o meu sonho ser real Com a Tijuca, campeã do Carnaval | |
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NOTÍCIAS :: DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA |
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Lugar de cientista é na avenida
Com enredo sobre ciência, Unidos da Tijuca faz bonito, surpreende e fica em segundo
Nem Mangueira, nem Imperatriz, nem Viradouro. Quem ficou em segundo lugar no desfile de escolas de samba do Rio de Janeiro em 2004 foi a Unidos da Tijuca, com seu enredo sobre ciência. As alegorias inspiradas por temas como a estrutura em dupla hélice do DNA, a energia elétrica ou as viagens no tempo empolgaram o público e cativaram os jurados, que colocaram a escola à frente de tradicionais potências do carnaval carioca, atrás apenas da campeã Beija-Flor.
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O carro alegórico Máquina do tempo abriu o desfile da Unidos da Tijuca (fotos: Casa da Ciência) | | | O desfile da Unidos da Tijuca pretendia contar a história das descobertas científicas e tecnológicas pela ótica da criatividade e da fantasia. O enredo O sonho da criação e a criação do sonho: a arte da ciência no tempo do impossível foi traduzido em carros e fantasias pelo carnavalesco Paulo Barros, com o apoio e o rigoroso trabalho de pesquisa da equipe da Casa da Ciência -- Centro Cultural de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
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O carnavalesco Paulo Barros levou à Sapucaí Frankensteins, múmias e o físico alemão Albert Einstein, encarnado pelo ator Carlos Palma | | |
No início do desfile, na noite de domingo para segunda, a comissão de frente deixou claro a que viera a escola: homens-robôs com movimentos que transitavam entre o mecânico e o orgânico abriam alas para um cortejo em que o espectador pôde ver o ator Carlos Palma caracterizado como Albert Einstein, passistas vestidos de ovelha Dolly (o primeiro mamífero clonado), alquimistas e até múmias. Um mestre-sala estava caracterizado como detetive: era Sherlock Holmes decifrando a estrutura do DNA (a porta-bandeira).
As 28 alas da escola e seus 7 carros alegóricos contaram a história do surgimento da química, do domínio da energia ou da invenção do avião. Temas polêmicos da ciência também tiveram espaço, na ala dos transgênicos ou no carro que representava o mito de Frankenstein. O que mais impressionou o público, no entanto, foi o deslumbrante carro alegórico A criação da vida, que trazia uma pirâmide humana de 123 integrantes inteiramente pintados de azul metálico cuja coreografia evocava a estrutura em dupla hélice da molécula de DNA.
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O carro alegórico A criação da vida foi a sensação do desfile | | |
Um desfile assim só poderia tirar os cientistas das bancadas e levá-los à Marquês de Sapucaí. Teve até prêmio Nobel caindo no samba: o polonês naturalizado americano Roald Hoffman, laureado em 1981 na categoria Química, desfilou e não poupou elogios à iniciativa. O físico brasileiro Marcelo Gleiser também esteve entre os cientistas e divulgadores que se juntaram aos cerca de 4 mil integrantes da escola e entoaram o samba-enredo do início ao fim do desfile.
A Unidos da Tijuca conseguiu levar para a avenida a física relativística, a genética e a engenharia aeroespacial. Alguns contestarão a contribuição direta do desfile para a melhoria da cultura científica do brasileiro. No entanto, não se pode negar a importância desse desfile ao trazer a ciência para a boca do povo e sobretudo ao destacar a importância da dimensão do sonho e da criatividade no fazer científico. Se a moda pegar, quem sabe veremos nos próximos anos desfiles sobre a vida e morte das estrelas ou sobre Darwin e a evolução das espécies... <
Bernardo Esteves Ciência Hoje On-line 26/02/04 |
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