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Na fórmula 1 - (N1 x N2), N1 de um determinado país é a proporção entre o número de reportagens que indicam situações extra constitucionais e o total de reportagens. N2 é a proporção entre o número de relatos de violência nas situações extraconstitucionais e o número total dessas situações.

Em exemplo fictício, podemos calcular o índice CCC da Colômbia. Suponhamos que, de um total de 100 reportagens sobre esse país, 80 falem sobre as ações das Farc (força revolucionária que utiliza a guerrilha para tentar tomar o poder do país). N1, nesse caso, seria 80/100 (ou 0,8). Se, dessas 80 reportagens, 70 relatarem fatos violentos, teremos um N2 de 70/80 (ou 0,875). Multiplicados, esses valores resultam em 0,7. Subtraímos de 1 esse valor e obtemos um CCC de 0,3. Ou seja, o país estaria nesse caso à beira da violência e do caos total.

 

 NOTÍCIAS :: CIÊNCIA POLÍTICA

Computadores podem prever guerras civis?

Método polêmico adota fórmula matemática para apontar risco de ameaça institucional

É possível prever o surgimento de guerras civis em países aparentemente calmos? Os cientistas políticos Craig Jenkins, da Universidade de Ohio, e Doug Bond, da Universidade de Harvard (ambas nos EUA), garantem que sim. Eles desenvolveram um software que, prometem, indica a possibilidade de ocorrência de guerra civil em qualquer lugar do mundo. Baseado em informações sobre o cotidiano político de cada país, o computador faz um cálculo estatístico que revela seu índice de capacidade potencial de conflito (CCC, do inglês conflict carrying capacity).

Segundo os pesquisadores, esses dados seriam essenciais para ajudar governos a se prevenirem contra crises e ameaças institucionais. "Encontramos uma forma científica de monitorar o momento em que os problemas políticos de cada país estão a ponto de se tornarem uma crise maior", disse Jenkins à CH on-line.

As informações sobre cada país consistem em reportagens de diversas fontes de notícias, em especial a agência Reuters. Os cientistas também utilizam um sistema de reportagem de campo baseado na leitura de notícias locais em regiões onde o trabalho das agências é escasso. As reportagens são analisadas por um computador que adota como parâmetros padrões textuais para indicar situações conflitantes. "Três fatores podem ser vistos como situações de conflito", diz Bond. "Manifestações civis de descontentamento, excesso de repressão estatal a esses protestos e violência surgida a partir dessa combinação."

Para calcular o CCC de cada país, primeiro se determina a fração de eventos reportados que representam manifestações de oposição ao sistema político, como protestos contra o governo ou tentativa de tomada de poder. Depois se examina quantos desses eventos são violentos. Multiplicam-se esses valores e subtrai-se o produto de um. O resultado é o índice CCC daquele país, que varia de 0 a 1. A pontuação zero significa que a violência está próxima de se tornar fora de controle, e o um reflete exatamente o oposto. A fórmula é 1 - (N1 x N2).

O sistema ainda não opera em tempo real. "Por enquanto, todas as previsões de conflito já feitas foram aplicações retroativas do índice que comprovaram eventos já ocorridos", diz Bond. Ele enumera 45 países em perigo de guerra, entre os quais Colômbia, Peru, México e Venezuela. Os pesquisadores disseram não dispor de dados suficientes para avaliar o risco de conflitos internos no Brasil.

Apesar do otimismo dos autores em relação à validade da técnica, ela desperta desconfiança em parte da comunidade científica. O historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva, diretor do Laboratório de Estudos do Tempo Presente da Universidade Federal do Rio de Janeiro, considera as fórmulas matemáticas adotadas muito arbitrárias. "As análises de Jenkins e Bond são simplificadoras e contestáveis", argumenta. "Com tamanha sofisticação, a ciência política americana não conseguiu prever nenhum dos grandes acontecimentos contemporâneos."

Sarita Coelho
Ciência Hoje on-line
18/12/01

 

 
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