Ao entrevistar estudantes, a pesquisadora constatou que, embora o livro técnico-científico seja caro no país, não é só o fator econômico que motiva os alunos a recorrerem às copiadoras. Muitos dizem reproduzir as obras porque é difícil encontrá-las em livrarias. "Porém, poucos se dão conta de que a cópia contribui para que seja cada vez mais complicado achar um livro, pois em tempos de pirataria as editoras se vêem obrigadas a reduzir as tiragens", afirma Ribeiro.
Os estudantes alegam ainda que não vale a pena comprar o livro se o professor só vai comentar alguns capítulos em sala de aula. Por isso, é tão comum hoje em dia universitários conhecerem apenas fragmentos de obras, o que pode prejudicar sua formação. "Infelizmente, copiar livros já faz parte da 'cultura' da universidade", diz Ribeiro. "Basta observar que os livros técnico-científicos são o principal alvo da pirataria: é raro alguém copiar uma obra de Paulo Coelho."
Embora a lei do direito autoral proíba a cópia de livros, é difícil combater essa prática. "Alguns consideram que nem o professor nem o aluno são considerados infratores, pois não tiram lucro da reprodução das obras", explica Ribeiro. A pirataria só é vantajosa financeiramente para os donos de copiadoras, mas, como a maioria das editoras de livros técnico-científicos é pequena, fica difícil mover ações na justiça contra eles.
Fernanda Marques
Ciência Hoje on-line
29/08/02