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Ana Claudia Ribeiro dirige a e-papers, editora que teve o apoio da Incubadora de Empresas da Coppe e hoje, cerca de três anos após sua fundação, já funciona por conta própria. Para evitar os prejuízos causados pela pirataria de livros, a e-papers tem um sistema de venda pela internet que permite ao cliente comprar capítulos separadamente. "Criei a editora e ela serviu de inspiração para minha dissertação de mestrado", conta Ribeiro. Segundo a pesquisadora, mais de 80% das vendas da e-papers são feitas pela internet.

 

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Pirataria dentro da universidade

Aluno procura copiadora por praticidade e prejudica sua formação, denuncia estudo

Todos os dias a cena se repete: alunos se amontoam na copiadora para reproduzir capítulos de livros disponibilizados por seus próprios professores. A prática é ilegal, mas rotineira no meio acadêmico: para cada livro técnico-científico vendido no país, quatro são copiados, a maioria dentro das universidades. A estimativa foi feita pela programadora visual Ana Claudia Ribeiro, em dissertação de mestrado defendida em março no Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). De acordo com o trabalho, o principal fator que leva o aluno a procurar a copiadora não é o alto preço do livro, mas a praticidade de encontrar toda a bibliografia de uma disciplina em um só lugar e obter apenas os capítulos de cada obra recomendados pelo professor.

Funcionário de copiadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) reproduz livro (fotos: Fernanda Marques)

Ao longo da última década, o número de estudantes universitários passou de 1,5 para 2,5 milhões, mas não houve aumento significativo na venda de livros técnico-científicos. Segundo o estudo, a falta de controle sobre a reprodução de obras não prejudica apenas as editoras. "As tiragens ficam menores, o preço da obra sobe e a tendência é que se publiquem cada vez menos livros, o que reduzirá a produção e circulação de conhecimento", diz Ribeiro.

A pesquisadora verificou que os professores, pelo menos os da UFRJ, têm o hábito de deixar livros nas copiadoras, inclusive os que eles próprios escreveram. "Muitos não se preocupam com o dinheiro que deixam de receber quando sua obra é copiada", conta Ribeiro. "Eles publicam porque é importante para o currículo." Além disso, os professores alegam deixar livros nas copiadoras a pedido dos alunos.

Alunos aguardam atendimento em copiadora na Uerj

Ao entrevistar estudantes, a pesquisadora constatou que, embora o livro técnico-científico seja caro no país, não é só o fator econômico que motiva os alunos a recorrerem às copiadoras. Muitos dizem reproduzir as obras porque é difícil encontrá-las em livrarias. "Porém, poucos se dão conta de que a cópia contribui para que seja cada vez mais complicado achar um livro, pois em tempos de pirataria as editoras se vêem obrigadas a reduzir as tiragens", afirma Ribeiro.

Os estudantes alegam ainda que não vale a pena comprar o livro se o professor só vai comentar alguns capítulos em sala de aula. Por isso, é tão comum hoje em dia universitários conhecerem apenas fragmentos de obras, o que pode prejudicar sua formação. "Infelizmente, copiar livros já faz parte da 'cultura' da universidade", diz Ribeiro. "Basta observar que os livros técnico-científicos são o principal alvo da pirataria: é raro alguém copiar uma obra de Paulo Coelho."

Embora a lei do direito autoral proíba a cópia de livros, é difícil combater essa prática. "Alguns consideram que nem o professor nem o aluno são considerados infratores, pois não tiram lucro da reprodução das obras", explica Ribeiro. A pirataria só é vantajosa financeiramente para os donos de copiadoras, mas, como a maioria das editoras de livros técnico-científicos é pequena, fica difícil mover ações na justiça contra eles.

Fernanda Marques
Ciência Hoje on-line
29/08/02

 

 
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