A foto mencionada acima mostra D. Pedro II e o Duque de Saxe num acampamento militar, durante a guerra. As fotografias originais, no entanto, revelam que os dois personagens foram retratados separadamente em estúdio e, posteriormente, 'acrescentados' à foto. Essa descoberta mostra que durante o processo de cópia as fotos sofriam interferências que, segundo Marçal, eram tanto de caráter editorial quanto pessoal.
A fotorreportagem publicada em O Besouro, de 1877, sobre a seca no Ceará tem, pela primeira vez, a fotografia como ponto principal: a fidelidade com que ela foi 'transportada' para o jornal é que assegura o choque que a matéria tencionava causar. Esse caráter de denúncia só seria explorado muitos anos depois, no século 20, quando a reprodução fotomecânica chega ao Brasil. Mas isso já seria tema para um outro trabalho.
"Nosso estudo levantou mais perguntas que respostas", diz Marçal. Por isso, a pesquisa -- que integra um projeto mais amplo sobre o fotojornalismo no Brasil, coordenado pelo professor Luiz Antonio Coelho, também da PUC-Rio -- deve prosseguir, em termos geográficos e cronológicos.
Gisele Lopes
Ciência Hoje on-line
09/04/03