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 NOTÍCIAS :: CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO

Primeira telecirurgia realizada no Brasil

Cirurgião americano conduziu de Baltimore robô que atuou na operação em SP

A primeira telecirurgia do Brasil e do hemisfério sul foi realizada com êxito em 17 de setembro por uma equipe de médicos brasileiros com o auxílio de um especialista americano. A cirurgia, feita no hospital Sírio Libanês de São Paulo, foi conduzida pelo urologista Anuar Ibrahim Mitre e teve a intervenção de um robô comandado por Louis Kavoussi, direto do Hospital John Hopkins, em Baltimore, Estados Unidos, por meio de um sistema de vídeoconferência. A operação foi acompanhada por cerca de 1300 urologistas que participavam do 18º Congresso de Mundial de Urologia em São Paulo. Essa foi também a segunda telecirurgia realizada no mundo; a primeira, em 98, teve a participação de médicos nos EUA e na Áustria.

A teleconferência é uma das principais aplicações da técnica de cirurgia a distância

O procedimento cirúrgico era simples: uma laparoscopia para a retirada de varicocele - doença que causa varizes no saco escrotal do paciente e que pode levar à infertilidade. O médico americano foi encarregado de comandar o braço eletrônico que tinha a função de controlar a iluminação interna do paciente, a câmera de vídeo e a intensidade da corrente do bisturi. Quem fez a cirurgia propriamente foi o cirurgião brasileiro. "O mais importante foi comprovar a possibilidade de se realizar a cirurgia com o auxílio de outro especialista distante do local em que ela está acontecendo", explicou o Dr. Mitre.

Outras vantagens da telecirurgia são a realização de videoaulas e o auxílio de médicos experientes em cirurgias mais complicadas. Por enquanto, o uso da técnica em pacientes que não podem ser removidos não é aproveitado. Isso requeriria, além do robô e do software que o controla, que o hospital onde o doente está internado estivesse equipado com cabos telefônicos capazes de transmitir em pouco tempo grande quantidade de dados. "Por isso, a principal aplicação prática atual da telecirurgia é a aula a distância e o auxílio de médicos mais experientes em determinados casos", disse Mitre.

A perspectiva de uma cirurgia realizada inteiramente por um robô ainda é longínqua. "Em primeiro lugar, é preciso desenvolver essa habilidade para o robô", pondera o cirurgião. "Em seguida, virá uma grande discussão ética e de responsabilidade. Quem seria responsabilizado por um erro da máquina: o operador ou o fabricante do instrumento?" Por ora, o cirurgião ainda é indispensável.

Pedro Lent
Ciência Hoje/RJ
18/09/00

 

 
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