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Quedinha para piolho

Diversas pesquisas revelam que há pessoas com tendência maior a ter piolhos do que outras. Isso pode estar ligado a fatores culturais -- como na Nigéria, onde as mulheres têm o hábito de manter seus cabelos enrolados em tranças por muitos dias, dificultando uma higiene adequada.

Fatores genéticos também contribuem, neste caso é a forma do fio de cabelo que indicaria maior ou menor propensão aos piolhos. Em um microscópio especial, é possível ver que os fios de cabelo dos negros, em geral, têm formato oval, enquanto nos não-negros o fio costuma ter formato arredondado. Pelo que se descobriu até agora, parece que as garras dos piolhos possuem maior fixação nos fios de forma arredondada. Esse é um dado curioso. Mas, atenção: isso não quer dizer que pessoas negras não peguem piolho!!!

A essa altura do texto, alguém já deve estar se perguntado sobre o sangue. Será verdade que algumas pessoas têm sangue que atrai piolhos? Atualmente, é isso que os pesquisadores vêm tentando descobrir. Logo, logo será possível confirmar ou desmentir mais essa crença em torno dos piolhos.

Por outro lado, é possível afirmar que para cada animal -- gatos, cães, bois e aves, por exemplo -- há um tipo de piolho específico. Assim, os piolhos humanos não infestam outros animais e vice-versa! Ainda bem, né?! Já é uma guerra se livrar de piolho que dá em gente, imagina ter que combater outros!

Falando em combate, não poupe esforços se a sua cabeça começar a coçar. Peça a alguém para catá-la com atenção e use o pente-fino para ajudar a retirar lêndeas, ninfas e adultos. Lavar o cabelo com freqüência também ajuda a combater os piolhos. Mas não basta lavar só com água porque esses insetos não morrem afogados. Eles têm aberturas respiratórias que se fecham quando eles se molham e, passado o aguaceiro, eles voltam a respirar normalmente. O uso de medicamentos específicos para pediculose às vezes é necessário. Mas o médico é que deve indicar o melhor produto e a maneira de usá-lo.

Agora vamos deixar claro uma coisa: qualquer um pode ter piolho, cada qual tem que cuidar da sua cabeça, mas esse cuidado não adianta muito se outras pessoas não fizerem o mesmo e continuarem transmitindo. Por isso, piolho é considerado um caso de saúde pública. Logo, é responsabilidade dos governantes manter as pessoas informadas sobre os males da pediculose e sobre como devem se cuidar. Programas de educação em saúde em escolas, hospitais e asilos, por exemplo, são importantíssimos para controlar esse parasita.

E olha que você também pode ajudar! Que tal passar adiante as informações deste texto e criar uma minicampanha contra os piolhos na sua escola e na vizinhança? Chame os amigos, faça cartazes, marque reuniões com outras crianças para que elas também saibam o que os piolhos podem provocar e passem aos pais o que aprenderem. Tudo isso pode ser feito de forma divertida, sem preconceito. Afinal de contas, o piolho que está na cabeça do seu colega, amanhã pode estar na sua, não é?

Ciência Hoje das Crianças 134, abril 2003
Raquel Borges,
Núcleo de Imunologia, Parasitologia e Microbiologia
Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
Curso de pós-graduação em Entomologia
Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA)
Júlio Mendes,
Núcleo de Imunologia, Parasitologia e Microbiologia
Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
Bruno Lassmar Bueno Valadares,
Curso de pós-graduação em Genética e Bioquímica
Instituto de Genética e Bioquímica
Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

 

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