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Alerta vermelho para os anfíbios
Extinção acelerada reflete processo de degradação ambiental

Os anfíbios estão mais ameaçados de extinção que aves e mamíferos: esse é o alerta dado por uma equipe de pesquisadores coordenada por Simon Stuart, da União Mundial pela Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). Eles afirmam que 32% das espécies dessa classe estão ameaçadas em escala mundial (1856), enquanto 12% de aves (1211) e 23% (1130) de mamíferos encontram-se na mesma situação. Os resultados foram publicados em 14 de outubro na revista Science.

O declínio na população de anfíbios já seria, por si só, um sério problema ambiental. Por trás dele, no entanto, há uma questão muito maior: por conta da alta permeabilidade de sua pele, esses animais são os primeiros a sentir os efeitos da poluição da água e do ar, elementos essenciais à vida humana.

O órgão da IUCN responsável pelo controle das populações globais de anfíbios - o GAA - reuniu informações sobre a população, distribuição regional e nível de risco das 5743 espécies de anfíbios catalogadas. A partir dessas informações, usou-se o critério da ’lista vermelha’ da IUCN para classificá-las de acordo com o nível de ameaça a que estão expostas. As categorias são: vulnerável, em risco de extinção e em sério risco de extinção – esta última compreende 427 espécies, ou 7,4% do total.

Os pesquisadores afirmam que, desde 1500, 34 espécies de anfíbios foram extintas. Esse número não seria considerado alarmante se não fosse pelo fato de, dentre elas, nove terem desaparecido apenas no período de 1980 até os dias atuais. Isso significa que nas últimas duas décadas o processo de degradação ambiental foi acelerado e, por conseqüência, atingiu seriamente essa classe de animais.

Mas há dados ainda mais preocupantes sobre o desaparecimento de anfíbios. O GAA listou 122 espécies em uma quarta categoria, fora as outras três determinadas pela ’lista vermelha’. Trata-se das espécies ’possivelmente extintas’, que não deixaram de existir formalmente, pois há necessidade de análises mais profundas para considerar sua extinção, mas não são mais encontradas. A nova categoria confirma a tendência alarmante apontada: das 122 espécies ’possivelmente extintas’, 113 passaram a ser consideradas assim a partir da década de 1980. Além disso, 435 espécies entraram em situação de ’rápido declínio’ depois de 1980.

Uma outra lista do GAA divide as espécies em alto risco de extinção em função do motivo da ameaça: excessivamente exploradas (as que sofreram altos índices de predação), redução de hábitat (espécies que sofreram com desaparecimento de seu hábitat natural) e declínio enigmático (quando não se sabe ao certo o motivo do declínio da população, mas doenças e alterações climáticas são as causas mais citadas como prováveis).

Em todas as categorias que determinam o grau de ameaça de espécies de anfíbios há populações em rápido declínio: 25% das espécies vulneráveis sofrem com esse processo, 47,3% das que estão em risco de extinção, 57,1% das que estão em sério risco de extinção e 92% das consideradas possivelmente extintas.

Aline Gatto Boueri
Ciência Hoje On-line
11/11/04

Confira algumas das espécies de anfíbios mais ameaçadas. Clique nas imagens para ampliá-las

A espécie Leptopelis susanae vive em árvores e é encontrada apenas em montanhas no sul da Etiópia. Corre risco de extinção devido à redução de seu hábitat. (foto: Malcolm Largen)

A espécie Leptopolis parkeri, encontrada na Tanzânia, é considerada vulnerável devido à redução de seu hábitat 
(foto: David Moyer / Wildlife Conservation Society)

A espécie Pseudophryne corroboree se restringe a pequenas populações em New South Wales, Austrália. Ela corre sério risco de extinção: calcula-se que existam menos de 250 indivíduos adultos.
(foto: Harold Cogger)

Rheobatrachus silus é uma das duas espécies da sua família. Ambas já foram extintas e viviam na Austrália. As larvas dessa espécie eram alocadas no estômago da fêmea, que dava à luz o filhote pela boca.
(foto: Michael J. Tyler)

A espécie Nasikabatrachus sahyadrensis é a única de sua família e foi descoberta em 2003 na região montanhosa do oeste da Índia. Ela só foi identificada em duas localidades da área onde foi descoberta e corre risco de extinção. (foto: S. D. Biju)

 

 
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