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 NOTÍCIAS :: CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO

Guerra de robôs

Torneio testa resistência de máquinas produzidas em centros de pesquisa brasileiros

Uma guerra sem sangue, mortos ou feridos acontece no interior de São Paulo nesta quinta-feira, 4 de outubro: a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) promove em seu Teatro de Arena a primeira guerra de robôs do Brasil, com alunos de quatro centros de pesquisa do país -- além da Unicamp, a Escola Politécnica da USP, a Escola de Engenharia Industrial de Itajubá (EFEI) e o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA).

Robô do Laboratório de Automação e Robótica da Unicamp; o sigilo em torno do confronto impediu que se divulgassem fotos dos robôs participantes

Guerras de robôs existem em outros países há cerca de dez anos. Diversas universidades promovem esse tipo de torneio, que testa as habilidades dos alunos e é um importante estímulo à pesquisa.

A competição de Campinas prevê o confronto simultâneo entre os quatro robôs comandados pelos estudantes. O objetivo é danificar o adversário até que ele não responda mais aos comandos da equipe. Pouco se sabe sobre as armas utilizadas por cada robô: as características das máquinas são tratadas pelas equipes como segredo de Estado.

A luta tem doze rounds, com duração de cinco minutos cada. Nos intervalos, de dez minutos, cada equipe pode fazer reparos no seu robô. Se um deles não esboçar qualquer reação, a comissão julgadora inicia uma contagem de trinta segundos; persistindo a inoperância, a equipe é eliminada. Caso mais de um robô permaneça na luta após onze assaltos, o último round terá duração indeterminada: só um competidor pode terminar a competição 'vivo'.

O torneio de robôs tem, claro, inúmeras regras técnicas: produtos explosivos ou corrosivos, lança-chamas e fogos de artifício estão fora de cogitação; projéteis soltos, lançados por armas de fogo, por exemplo, são igualmente proibidos. A potência dos lasers de visão e mira é limitada. Os robôs -- de no máximo 50 quilos -- não podem espalhar resíduos no chão, e devem ser controlados por rádios PCM (Pulse Code Modulator), para que não haja interferências nas comunicações.

"A tecnologia usada no torneio é de ponta", diz João Rosário, coordenador da Faculdade de Engenharia Mecatrônica da Unicamp. Segundo ele, competições como essa têm como meta principal testar a resistência, característica fundamental em robôs que atuam em situações extremas: "O Sojourner, que foi para Marte, perdeu todas as informações que colheu por não ter suportado o ambiente. Há outros tipos de robôs em que a resistência é essencial, como os que analisam crateras de vulcões."

Rosário destaca o papel da competição na integração dos alunos e da comunidade. "A idéia de fazer o torneio foi da turma de mecatrônica da Unicamp, que contactou os alunos das outras faculdades." Para ele, a tendência é aumentar o número de equipes e centros de pesquisa nas próximas edições.

Tiago Lethbridge
Ciência Hoje on-line
04/10/01

 

 

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