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[1] O Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ mantém há oito anos um grupo de pesquisadores dedicados a desenvolver programas adaptativos para deficientes. A equipe já criou o Dosvox, para deficientes visuais, e o Teclado Amigo, para portadores de paralisia cerebral, entre outros.


 

  

 

 NOTÍCIAS :: CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO

Software permite que tetraplégicos usem computador

Motrix permite controlar mouse, digitar textos e acessar internet com comando de voz

Estima-se que haja no Brasil cerca de 200 mil tetraplégicos, embora o último censo não forneça dados sobre o assunto. A tetraplegia, causada por danos na coluna cervical ou por acidentes vasculares cerebrais (derrames), provoca perda de movimentos nos braços e nas pernas em graus variáveis, da diminuição de força à imobilidade completa. Devido a problemas de acesso a espaços públicos e equipamentos, nem sempre adaptados ao uso por deficientes, muitos tetraplégicos encontram limites a sua inserção social.

Aula inaugural do treinamento dos instrutores  (também tetraplégicos) doscursos gratuitos que o NCE oferecerá para ensinar a usar o Motrix. À frente, o professor Antônio Borges e a médica Lenira Luna (imagens: NCE/UFRJ)

Pensando nesse problema, foi desenvolvido no Núcleo de Computação Eletrônica (NCE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) um programa que permite controlar o computador a partir do comando de voz. O Motrix possibilita ao usuário comandar o cursor do mouse, digitar textos e acessar a internet.

O software foi criado a partir de uma interface padrão de reconhecimento de voz desenvolvida pela Microsoft. Ao instalar o Motrix, o usuário deve ler em voz alta os comandos (expressões como 'para baixo', 'para cima', 'duplo clique', 'conexão internet'), além do alfabeto de radioamador (alfa, bravo, charlie etc), usado para ditar textos. "A partir daí, os comandos ficam armazenados em uma base de dados e passam a ser reconhecidos pelo computador", explica Antônio Borges, pesquisador responsável pelo desenvolvimento do programa.

A sugestão para a criação do programa partiu da médica radiologista Lenira Luna, tetraplégica há 26 anos. "Como não tenho o movimento das mãos, antes do Motrix eu não podia usar o computador, o que limitava minhas ações como médica", conta. Lenira tinha dificuldade, por exemplo, para usar o Teclado Amigo, outro [1]programa para deficientes criado pelo NCE, que permite acionar comandos com um único movimento (de cabeça, por exemplo). "Pedi ao professor Antônio que criasse um software que dependesse exclusivamente de comandos acionados pela voz. Agora posso usar o computador como qualquer outra pessoa", comemora.

O Motrix pode ser instalado em computadores PC com processador Pentium 200 e sistema operacional Windows 98 ou superior. Uma versão gratuita do programa em inglês já está disponível no site do NCE. "São apenas trinta comandos, facilmente memorizáveis até para quem não fala inglês", diz Borges. Uma versão em português, também gratuita, deverá estar disponível a partir de setembro.

Além de viabilizar o uso de diversos softwares, o Motrix permitirá aos tetraplégicos no futuro realizar tarefas comuns do dia-a-dia, como controlar interruptores de luz, o ventilador ou o volume da televisão. Isso será possível com o uso de uma 'tomada eletrônica' também acionada pela voz, atualmente em fase de testes no NCE. Ligado ao computador, o dispositivo pode ser ligado a qualquer eletrodoméstico. "Para disponibilizar esse equipamento no futuro, precisamos encontrar uma empresa interessada em produzi-lo", diz Borges.

Mais informações sobre o Motrix e sobre os cursos podem
ser obtidas pelo telefone (21) 2598-3120 ou por
e-mail

Adriana de Melo
Ciência Hoje on-line
22/08/02 

 

 

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