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 NOTÍCIAS :: CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO

Aonde vão nos levar as novas tecnologias?

Livro mostra como a informatização e automação transformam a própria estrutura social

Imagine um sofá que se adapta ao corpo do dono ou uma janela que abre e fecha de acordo com o clima. Esses são possíveis objetos inteligentes -- que funcionarão sem intervenção humana --, conseqüência da evolução na tecnologia dos chips. Os impactos de avanços tecnológicos como esses sobre a sociedade despertam o interesse de diversos pesquisadores brasileiros -- como o engenheiro João Antonio Zuffo, da Universidade de São Paulo. Zuffo acaba de lançar o livro A tecnologia e a infossociedade, o primeiro da série A sociedade e a economia no novo milênio, que analisa o posicionamento e comportamento dos indivíduos na chamada infoera, onde a vida será altamente informatizada e automatizada.

Detalhe da capa do livro A tecnologia e a infossociedade

No livro, Zuffo apresenta o que chama de uma 'hipótese evolutiva', ou um cenário possível do desenvolvimento tecnológico e do papel do homem nessa nova realidade. Para ele, a diminuição de custos e o aumento na capacidade de armazenamento dos chips serão a base de uma nova sociedade. Os objetos ditos inteligentes 'saberão' reagir ou se adaptar às circunstâncias de acordo com sua programação: eles poderão 'aprender' os hábitos de seu dono e até tomar pequenas decisões por ele.

Nessa linha, o autor aposta no surgimento dos 'cartões inteligentes', que além de realizarem transações financeiras também poderão conter dados sobre a genética ou saúde do proprietário, por exemplo. Em breve, os cartões serão usados em máquinas de refrigerantes ou nos transportes; posteriormente poderão fazer telerreservas ou debitar o valor de ingressos. Esse é o embrião da moeda eletrônica, que se baseará também no dinheiro virtual, que dispensa o uso do papel-moeda e identifica seu 'dono' por meio de parâmetros biométricos, como íris, impressão digital ou voz.

Negócios eletrônicos como o home-banking já são realidade. Em breve, acredita Zuffo, eles se tornarão o principal meio de transações, ao menos entre pessoas jurídicas. A terceira geração da telefonia móvel e as telecomunicações sem fio de banda larga inaugurarão novos serviços baseados na internet móvel e no acesso a sites por comandos de voz. Isso facilitará o crescimento do comércio eletrônico, que reduz não só os custos, ao acabar com os intermediários, mas também o número de empregos. A tendência é que as lojas físicas se tornem apenas espaço de lazer.

Zuffo antecipa mudanças sociais necessárias para a inserção do homem na nova sociedade: políticas de educação, reestruturação de valores e legislação eficiente serão fundamentais para a vida na infoera -- que terá pontos positivos e negativos. A facilidade dos transportes, por exemplo, ao mesmo tempo em que promove o isolamento social, aumenta o tempo ocioso das pessoas, que pode ser preenchido com trabalhos solidários.

A linguagem do livro é bastante técnica e torna a leitura árdua em alguns trechos. No entanto, Zuffo traça um panorama interessante e original da infossociedade. Sua visão do futuro, polêmica por vezes, deve chamar a atenção de todos aqueles que se interessam pelos rumos das novas tecnologias.

A tecnologia e a infossociedade. Livro 1 da série
A sociedade e a economia no novo milênio: os empregos
e as empresas no turbulento alvorecer do século 21

João Antonio Zuffo
São Paulo, 2002, Editora Manole
326 páginas - R$ 48,60

Gisele Lopes
Ciência Hoje on-line
18/12/02

 

 

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