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Para compreender melhor o mecanismo de defesa indireta, os pesquisadores isolaram em laboratório os fatores químicos (série de aminoácidos graxos e ácidos conjugados, ou FACs) presentes na secreção larval oral de uma mariposa. Esses fatores são usados pelas plantas para 'reconhecer' o ataque de inimigos. Ao retirar os FACs dessa secreção, os cientistas observaram que a planta tornou-se incapaz de expelir os compostos voláteis. Essa capacidade só foi recuperada quando FACs sintéticos foram adicionados novamente ao vegetal.

 

 NOTÍCIAS :: BOTÂNICA

Quando as plantas 'pedem socorro'
Atacadas por insetos herbívoros, elas liberam compostos que atraem predadores

As plantas, quando atacadas por insetos herbívoros, liberam um composto químico volátil que funciona como um 'pedido de socorro' aos inimigos desses insetos (predadores e parasitas) para impedir a destruição do vegetal. O fenômeno vem sendo estudado por pesquisadores do Instituto Max-Planck de Química Ecológica (ICE, na Alemanha), que revelaram a existência de um segundo mecanismo de defesa na natureza, a 'indireta'. Publicada na revista Science de 16 de março, a pesquisa mostra a ação dos compostos voláteis emitidos pela Nicotiana attenuata (espécie de tabaco selvagem do deserto americano - ver foto).

O recurso das plantas à ajuda de predadores e parasitas, que estão no terceiro nível trófico da cadeia alimentar, é conhecido pelos pesquisadores como 'defesa indireta'. Já se conhecia a chamada 'defesa direta', quando, durante o ataque de insetos herbívoros, as plantas aumentam a produção de químicos que atuam como veneno para expulsar o inimigo ou frear seu crescimento. Ambas as defesas são ativadas paralelamente, mas a regulação e as conseqüências ecológicas de seus mecanismos diferem.

Segundo Andre Kessler, pesquisador do ICE, a defesa direta pode ser efetiva, mas não suficiente, pois aos poucos, os herbívoros tornam-se resistentes a ela. Além disso, esses compostos podem ser apropriados pelos insetos em proveito próprio e freiam o crescimento e afetam a eficiência digestiva dos herbívoros (aumentam sua fome, em vez de diminuí-la). É por meio da defesa indireta - a liberação de um composto orgânico volátil específico - que a planta complementa sua reação ao ataque dos insetos. "Com esse sinal, a planta indica ao predador a localização exata do herbívoro", explicou Kessler à CH on-line.

Para estudar a ação dos predadores e parasitas, os pesquisadores observaram o ataque de um percevejo a ovos de herbívoros presos na planta. A equipe tratou o vegetal com compostos voláteis sintéticos idênticos aos produzidos naturalmente na defesa indireta. "Quando os compostos sintéticos foram aplicados, os herbívoros passaram a botar menos ovos nas plantas e a atividade dos predadores também aumentou", explica Kessler. "As ações dos compostos sintético e natural demonstraram pela primeira vez as conseqüências do 'pedido de socorro' da planta na comunidade herbívora."

Segundo Kessler, a emissão desses químicos pela planta pode ter grande impacto sobre o ecossistema. Antes da pesquisa de sua equipe, esse fenômeno só havia sido observado em laboratório. "Conseguimos demonstrar que o tabaco selvagem na natureza também libera químicos voláteis quando incomodado por uma das três espécies de insetos que o atacam", diz. A equipe acredita que essas reações de defesa possam ser utilizadas na agricultura intensiva e exploradas como estratégia para deter a peste nas plantações.

Cristina Souto
Ciência Hoje/RJ
30/03/01

 

 

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