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 NOTÍCIAS :: BOTÂNICA

Genes permitem acúmulo de metal em planta
Descoberta pode levar a método de limpeza de dejetos industriais

Genes que podem permitir que plantas acumulem grandes quantidades de metais em seus tecidos foram identificados e clonados por David E. Salt, professor de fisiologia molecular vegetal da Universidade de Purdue (EUA). A descoberta pode levar ao desenvolvimento de plantas que limpem o lixo industrial e de alimentos que combatam doenças. O estudo foi publicado em 14 de agosto na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Os genes foram identificados em uma planta da espécie Thlaspi goesingense -- tipo raro de mostarda selvagem de pequeno porte que ocorre nos Alpes austríacos. Sabe-se que essa espécie acumula grande quantidade de níquel em seus tecidos. Ela é similar à Arabidopsis thaliana, que não acumula metais e é comumente usada em pesquisas de genética vegetal.

São conhecidas mais de 350 espécies que acumulam grandes quantidades de metais como níquel, zinco, cobre, cádmio, selênio ou manganês. Segundo Salt, a Thlaspi goesingense é capaz de acumular um por cento de sua biomassa seca sob a forma de níquel, ou 10.000 partes por milhão de níquel nos tecidos (em plantas normais, espera-se encontrar de 10 a 100 partes por milhão de níquel).

Plantas que acumulam metais estocam-nos em estruturas celulares chamadas vacúolos. Essas organelas são envoltas por membranas que protegem o resto da célula do efeito tóxico de metais. As membranas dos vacúolos lembram bastante membranas celulares no fígado humano que têm função semelhante. Não se sabe ao certo por que certas plantas acumulam metais em grandes quantidades. Estudos indicam que a função é impedir que insetos e outras criaturas as comam. Assim como não gostamos de morder um pedaço de papel-alumínio, os insetos tenderiam a evitar comer plantas que tivessem gosto de metal.

O plantio de plantas que acumulam metais em sítios contaminados por dejetos industriais poderia ser uma forma de 'limpar' o terreno. Segundo Salt, cinco ou dez anos de cultivo de plantas que acumulam metais bastariam para descontaminar um sítio poluído. Ele diz que as plantas que acumulam metais encontradas na natureza não poderiam ser usadas com esse intuito, por serem pequenas e de crescimento lento. Em vez disso, os cientistas poderiam incorporar os genes identificados a plantas maiores e de crescimento mais veloz, como gramíneas. Salt pretende agora investigar a expressão desses genes em plantas que não acumulam metais para verificar se elas podem passar a fazê-lo.

Uma outra aplicação da descoberta seria a produção por meio da engenharia genética de alimentos funcionais, que contenham nutrientes ausentes de dietas em certas regiões. Metais são nutrientes essenciais em pequenas doses e sua falta pode causar sérios problemas de saúde.

Bernardo Esteves
Ciência Hoje on-line
28/08/01

 

 

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